O governo de direita da Colômbia ordenou a retirada de dezenas de obras relacionadas à diversidade sexual e aos processos de paz de um dos museus mais importantes do país, em uma decisão que provocou uma onda de críticas nas redes sociais e entre os visitantes. Saiba mais: Com quem Sean ‘Diddy’ Combs teria brigado antes de sofrer traumatismo craniano na prisão? Aos 77 anos: Billy Joel diz que não pode dirigir e tem futuro incerto nos palcos após diagnóstico Na sala "Hacer sociedad" ("Fazer sociedade" em tradução livre para o português) do Museu Nacional, em Bogotá, várias paredes que até pouco tempo exibiam obras relacionadas à comunidade LGBT+, aos assassinatos de figuras políticas, ao ativismo político e ao acordo de paz de 2016, que desarmou a guerrilha das Farc, estavam vazias na manhã desta sexta-feira (16), constatou a AFP. Nas proximidades, alguns funcionários pintavam uma das paredes vazias, minutos antes de fechar o espaço ao público sob a justificativa de uma "renovação" promovida pela nova administração. Nos corredores, dezenas de visitantes aguardavam explicações desse museu, que abriga boa parte da memória histórica, artística e cultural da Colômbia. — É uma afronta à sociedade colombiana, é uma afronta à nossa memória, à nossa história — disse à AFP Martín Pérez, de 26 anos.
A ministra da Cultura, Paola Holguín, defendeu a decisão ao afirmar na rede social X que a missão do museu "NÃO consiste em servir como instrumento de doutrinação política" e que deve respeitar "os direitos fundamentais das crianças". Sem se referir diretamente ao museu, o presidente Abelardo de la Espriella afirmou na quinta-feira que o "Estado tem o dever moral incontornável e político de impedir que os espaços culturais sejam capturados pelo social-comunismo ateu e inimigo dos valores". Museu Nacional em Bogotá, na Colômbia Raul Arboleda / AFP Ao lado de Holguín, a quem chamou de sua "generala", fez advertências contra a chamada cultura woke, que definiu como "um dos grandes cânceres que ameaçam a unidade nacional". A palavra inglesa woke é frequentemente utilizada por setores conservadores como um rótulo pejorativo para criticar políticas consideradas progressistas. Aliado de Donald Trump e no poder há dois meses, De la Espriella é criticado por suas frequentes referências a Cristo, pelo uso de imagens religiosas em eventos públicos e por declarações contrárias a direitos protegidos pela Constituição, como o aborto. Funcionários do museu disseram à AFP que estão proibidos de dar declarações. — Podem fazer o que quiserem, podem fazer qualquer tipo de censura (...) mas a memória jamais será esquecida e sempre vai resistir — afirmou John Fredy Rodríguez, professor de 34 anos que levava seus alunos de jornalismo ao museu.
O Globo