Governo capta € 5 bilhões em primeira emissão no mercado europeu após mais de uma década

 

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O Tesouro Nacional captou, nesta quarta-feira, € 5 bilhões na emissão que marca o retorno do Brasil ao mercado europeu após mais de dez anos sem operações nesse segmento, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

– Fomos ao mercado hoje, conseguimos uma captação histórica de € 5 bilhões em três tranches diferentes. Uma tranche de quatro anos, uma tranche de sete anos e uma tranche de dez anos – disse, nos Estados Unidos, onde participa das reuniões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Segundo Durigan, a oferta recebida pelo governo foi muito maior do que nossa expectativa.

– O que mostra que o Brasil tem a credibilidade do mercado. Fizemos emissões semelhantes a essas no mercado americano nos anos anteriores, voltamos ao mercado europeu com sucesso, e vamos prospectar novos mercados ainda até o fim do ano.

O governo vende esses títulos a investidores estrangeiros e recebe os recursos à vista, assumindo o compromisso de devolver o valor no futuro, com pagamento de juros. A oferta será dividia em três prazos: títulos com vencimento em quatro anos (2030), sete anos (2033) e dez anos (2036). A operação será coordenada pelos bancos BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS.

A decisão foi tomada após uma rodada de conversas com investidores realizada na terça-feira e em um contexto de condições consideradas favoráveis no mercado internacional. Anteriormente, o Tesouro havia informado que avaliava a receptividade dos investidores antes de definir as características da emissão, como prazos e preços.

A emissão faz parte da estratégia de gestão da dívida pública e tem como objetivo ampliar a presença do Brasil em diferentes mercados e moedas. De acordo com o Tesouro, a operação também busca contribuir para a formação de uma curva de referência em euros, que pode servir de parâmetro para outras emissões de empresas brasileiras no exterior.

“A operação está alinhada à estratégia do Tesouro Nacional e tem por objetivo a construção de uma curva soberana eficiente em euros, oferecendo referência para outros emissores domésticos”, disse o Tesouro.

Os recursos captados com a venda dos títulos devem ser utilizados para o refinanciamento da dívida pública federal, ou seja, para a substituição de passivos já existentes. Os títulos serão emitidos em euros, com pagamentos de juros também na moeda europeia.