Governo brasileiro faz nova reunião sobre situação da Venezuela após ataque de Trump

 

Fonte:


O presidente Lula, que não passou o recesso de fim de ano em Brasília, mas no litoral do Rio de Janeiro, participou de uma reunião hoje (3) pela manhã, por vídeo chamada, com outras autoridades, sobre o ataque de Donald Trump à Venezuela. Essa reunião aconteceu por volta de 10h30 e terminou cerca de um hora depois. Mas uma nova reunião começou no Itamaraty para tratar do assunto, e fontes do governo devem falar com a imprensa em seguida.

Na reunião de mais cedo o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a fronteira com o país vizinho permanece aberta e que há efetivo suficiente para garantir a segurança. Segundo ele, são 200 militares na fronteira, 2.300 em Roraima e cerca de 10 mil em toda a região amazônica. Ainda de acordo com o ministro, o contingente é suficiente para garantir a segurança necessária.

Ao lado de Múcio, a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, disse que não há registro de brasileiros entre os feridos após a ação dos Estados Unidos na Venezuela. Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que mantém contato com autoridades da Venezuela. Ele conversou neste sábado por telefone com Yván Gil Pinto, também Ministro das Relações Exteriores na Venezuela, após os EUA anunciarem ataques ao país e a captura de Nicolás Maduro.

Mais cedo, o presidente Lula se pronunciou nas redes sociais condenando os ataques à Venezuela. Ele afirmou que os bombardeios e a captura do presidente venezuelano violam gravemente a soberania do país, o direito internacional e representam um precedente perigoso para a ordem global. Lula defendeu o multilateralismo, o diálogo e a manutenção da América do Sul como zona de paz, pedindo uma resposta firme da ONU. O Brasil condena as ações e se dispõe a promover diálogo e cooperação.

Repercussão do ataque de Trump

No X, governadores de direita de alguns estados se manifestaram favoráveis à ação dos EUA. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, disse que o dia 3 de janeiro de 2026 entra para a história como o dia da libertação do povo venezuelano, oprimido há mais de 20 anos. Romeu Zema disse que a queda de Maduro serve para que o povo venezuelano finalmente reencontre paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento. No Paraná, o governador Ratinho Júnior (PSD) chamou a decisão dos Estados Unidos de "brilhante".

Eduardo Leite. governador do Rio Grande do Sul, disse que "o regime ditatorial de Maduro é inadmissível", mas condenou a violência usada pelos EUA e afirmou que está preocupado com a escalada de tensão. Já o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, disse que não vai comentar a decisão porque quer se “resguardar”.

Por outro lado, o PT condenou duramente a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando o episódio como um sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama. O partido alerta para a escalada do conflito, motivada por interesses políticos e econômicos, e aponta que o bombardeio em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, representa a mais grave agressão internacional na América do Sul neste século.