Governistas divulgam vídeo que associa Flávio Bolsonaro a organizações criminosas do Rio
Políticos da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizaram as redes sociais para divulgar um vídeo que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao crime organizado do Rio de Janeiro. O material relaciona o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro com nomes como Gutemberg Fonseca, secretário estadual de Defesa do Consumidor, e Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes e Lazer, alvos da Polícia Federal por suposto envolvimento com o Comando Vermelho (CV).
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A gravação foi compartilhada pela ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Na legenda da publicação, Gleisi definiu o produto como "as conexões de Flávio Bolsonaro com o submundo do crime", mesma frase utilizada por Correia.
— Não é a primeira vez. O filho "01" de Bolsonaro vive cercado de escândalos e "maracutaias" — diz a gravação. — Rachadinha, lavagem de dinheiro, crime organizado, milícias. Quando juntamos todas essas peças, aparece uma teia de relações que não pode ser ignorada — acusa.
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Quem são os mencionados
Dentre os nomes citados no vídeo, Gutemberg foi indicado por Flávio ao governo do Rio e também já ocupou cargos sob sua indicação durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella (2017-2020). Conforme divulgado pelo GLOBO em novembro de 2025, diálogos interceptados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Zargun mostraram a relação do CV com membros do governo de Cláudio Castro (PL), o que inclui Gutemberg, que teria se encontrado pessoalmente com um membro da facção para tratar de “cobertura política”. O secretário nega que o encontro tenha ocorrido.
Já o advogado Alessandro Pitombeira, preso desde o ano passado — na mesma ação policial que culminou na detenção do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias — foi alvo de um novo mandado de prisão nesta segunda-feira, no âmbito da Operação Anomalia. A ação foi deflagrada para desarticular um núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas.
Pitombeira também atuou como secretário municipal de Ordem Pública da capital, na gestão de Crivella, em 2020, além de ser subsecretário estadual de Defesa do Consumidor — exonerado em janeiro deste ano — atuando ao lado de Gutemberg. Pitombeira também teria sido indicado por Flávio, o que o senador nega. Segundo o pré-candidato ao Planalto, quem o apresentou ao advogado foi justamente Gutemberg: "se estive com ele duas vezes na vida foi muito", disse Flávio.
O vídeo divulgado pelos aliados de Lula menciona, ainda, a proximidade de Flávio com o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio, Adriano da Nóbrega, que criou o Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel. O senador era próximo do ex-policial, morto em 2020, e empregou Danielle Mendonça, ex-mulher de Adriano, e Raimunda Veras Magalhães, mãe do miliciano, em seu gabinete na na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
'Grande quadrilha'
No início desta semana, o PT protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PL devido à publicação de um vídeo que associa o governo do presidente Lula ao escândalo do Banco Master e aos desvios financeiros no INSS. Intitulado "A Grande Quadrilha", o vídeo faz uma referência ao programa de televisão "A Grande Família", da TV Globo, veiculado entre 2001 e 2014.
"O roteiro é o mesmo de sempre: discurso de amor na TV e a mão leve no bolso do brasileiro. No elenco, desvia o pai, a mãe e o filho, a sintonia é incrível. A união dessa quadrilha é emocionante, principalmente quando o choro é no bolso do brasileiro", publicou o PL.
Um dos trechos, produzido com inteligência artificial, mostra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao lado do homem conhecido como Careca do INSS. O filho do presidente petista é suspeito de ter envolvimento com um dos principais pivôs nos desvios ilegais. A ligação entre os dois tem sido uma das principais apostas da oposição para desgastar Lula.
O mesmo ocorre com a disputa entre a esquerda e a oposição para associar os respectivos adversários a Daniel Vorcaro, dono do banco Master preso na quarta-feira passada pela Polícia Federal. De um lado, a esquerda busca associar o esquema corrupto a aliados de Bolsonaro; do outro, a direita compartilha postagens que buscam afastar o ex-mandatário do escândalo, além de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
