Governadora do RN desiste de renunciar ao comando do estado: 'Não há cargo no Senado que valha minha coerência'

 

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A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), anunciou nesta terça-feira que não renunciará do comando do estado para se lançar candidata ao Senado e afirmou que permanecerá na cadeira até o final de seu mandato, em dezembro deste ano. A decisão foi comunicada pela petista em uma nota compartilhada por ela nas redes sociais, intitulada "Carta ao povo potiguar" . No comunicado, ela também criticou o vice-governador Watler Alves (MDB), que, desde o mês passado, tem afirmado que não assumiria o Executivo estadual na hipótese da renúncia.

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"Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo", disse o comunicado assinado por ela.

O texto também afirma que existe um "movimento articulado para tirar o PT do Senado", mas diz que "não vão conseguir". "Não há cargo no Senado que valha a minha coerência", acrescentou. Além disso, a nota reafirma o apoio à pré-candidatura do secretário da Fazenda, Cadu Xavier, escolhido como sucessor pela governadora.

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O rompimento entre Fátima e o vice-governador foi anunciado por ele em nota em janeiro deste ano, na qual relatou que o MDB no estado havia decidido "caminhar com a Federação União Progressista e PSD" em uma chapa de oposição a Cadu. No texto, Alves também afirmou que buscaria se candidatar ao cargo de deputado estadual, mas disse que apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O reposicionamento do vice-governador pegou de surpresa Fátima, que tinha a intenção de renunciar o comando do estado até abril, no limite do prazo de descompatibilização, para concorrer ao Senado. A vacância do Executivo levaria à realização de uma eleição indireta para a escolha de um representante que comandaria o RN até a posse do próximo governador, eleito em outubro. O PT chegou a considerar o lançamento de um candidato para concorrer ao mandato-tampão, mas foi desafiado pelo tamanho da base governista ante a oposição na Assembleia Legislativa.

Na Casa, os partidos aliados à gestão estadual, PT e PV, ocupam seis cadeiras, o mesmo número que o PL. Há, no entanto, a expectativa de que a bancada bolsonarista cresça com a janela partidária e se torne a maior da Casa. Já a coligação União Brasil e PP tem três cadeiras, enquanto o PSDB ocupa seis. A hipótese de que a eleição indireta resultasse na escolha de um nome da oposição para o mandato-tampão preocupava o governo, mas agora foi descartada, já que a governadora optou por se manter na cadeira.