Governador em exercício do RJ explica ofensiva para recuperar investimentos do Master, confirma fantasmas e fala sobre permanência no cargo
O governador em exercício do RJ, Ricardo Couto, afirmou que adotará medidas judiciais para reaver investimentos do Rioprevidência no Banco Master. Couto confirmou que encontrou funcionários fantasmas no governo e justificou os cortes de quase três mil cargos como necessários para reduzir o excesso de comissionados.
O interino defendeu uma urbanização das comunidades para retomada de territórios, confirmou a intenção de desapropriar o terreno da Refit e disse que não sabe quanto tempo ficará no cargo, mas que sabe que ao menos 90 dias.
As declarações foram dadas à jornalista Miriam Leitão, na GloboNews, em entrevista nessa quarta-feira (27).
Ao comentar a crise no Rioprevidência, Couto afirmou que o estado busca recuperar os recursos aplicados no Banco Master por diferentes frentes judiciais. Segundo ele, a estratégia inclui ações contra a própria instituição financeira.
“Em um primeiro momento, é ir ao próprio Master e tentar recuperar o que foi investido ali e se perdeu. Depois, nós podemos ir àqueles que são investidores do banco. A Procuradoria do Estado procurou atuar sobre aqueles que tomaram empréstimos e estão devolvendo esses valores ao Master, bloqueando parte desses pagamentos para que o estado possa se recapitalizar e recuperar o dinheiro que foi investido.”
Na entrevista, Couto também admitiu ter encontrado indícios de funcionários fantasmas na administração estadual. Segundo ele, alguns servidores nomeados não compareciam aos locais de trabalho, o que motivou exonerações e envio de informações ao Ministério Público. O interino afirmou que a redução de cargos foi baseada em critérios de necessidade e gestão, com foco principalmente em servidores comissionados sem concurso público.
Desde que assumiu o governo, Couto já promoveu quase três mil exonerações e substituiu integrantes do primeiro escalão.
“Algumas secretarias estavam com servidores em excesso. Resolvemos, então, enxugar o tamanho dessas secretarias. Foi adotado um critério da necessidade. Se eu não tenho necessidade desses servidores que não são concursados, por que nomeá-los? [...] Nós já encontramos indícios de funcionários que não compareciam ao local de trabalho, então temos que saber o motivo. Temos também a ideia de enxugar o número de secretarias do estado. O Rio de Janeiro possui hoje 32 secretarias. Para dar um exemplo, São Paulo tem 14 secretarias. Minas Gerais, que é o estado com o maior número de municípios do país, tem 16.”
Couto disse ainda que pretende encaminhar um projeto para limitar a ocupação de cargos comissionados por pessoas sem concurso público. A proposta prevê que esse percentual não ultrapasse 10% do total de servidores concursados.
Sobre o tempo de permanência no cargo, o governador em exercício afirmou que não sabe quanto tempo ficará à frente do Palácio Guanabara, enquanto o Supremo Tribunal Federal não define se haverá eleição indireta para um mandato-tampão. Apesar disso, declarou trabalhar com uma previsão mínima de 90 dias por causa do recesso do STF.
“Óbvio que, como gestor, eu tenho que olhar e ter noção de quanto tempo eu tenho. Hoje, o que eu posso dizer é que estamos aguardando uma decisão do Supremo. Por conta disso, o que eu tenho mais ou menos garantido são 90 dias, então eu tenho que olhar para a gestão do governo para esses 90 dias. Mas o que eu posso fazer de melhor para a população em 90 dias, num campo técnico? Então, estou procedendo dentro desse formato e acho que a gente pode fazer muita coisa.”
Na área da segurança pública, Couto afirmou que a retomada de territórios dominados pelo crime passa por um processo de urbanização das comunidades. Segundo ele, apenas ações policiais não são suficientes sem a presença efetiva do estado por meio de serviços públicos, infraestrutura e regularização fundiária.
O governador em exercício defendeu a abertura de ruas e melhorias urbanas em áreas dominadas por facções e milícias para facilitar a circulação do estado e reduzir espaços utilizados pela criminalidade. Também criticou a ausência histórica de políticas públicas nessas regiões e afirmou que governantes precisam enfrentar o problema mesmo que isso gere desgaste político.
“Não adianta o aparato de segurança do Estado entrar nessa comunidade se ela não está urbanizada. Essas regiões não podem ficar nas mãos dos milicianos. Eu acho que a população tem que receber titulação de propriedade. Nós temos que acabar com essa ideia de população que vai lá e paga aluguel para um miliciano, população que vai lá e compra a propriedade do miliciano. São áreas em que nós temos que entrar, distribuir e dar a propriedade de forma imediata. Agora, a urbanização, através de ruas para que o Estado possa transitar, é de suma importância.”
Durante a entrevista, Couto confirmou que o governo estadual estuda desapropriar o terreno da refinaria de Manguinhos, a Refit. Segundo ele, a ideia é transformar a área em um polo industrial. O governador afirmou que o estado negocia uma autorização da União para avançar no processo e pretende usar parte da dívida bilionária da empresa com o Rio para compensar a indenização pela desapropriação.
Couto disse ainda que há interesse de empresas na área, incluindo a Petrobras, e afirmou que a operação poderia aumentar a arrecadação estadual e gerar empregos.
