Governador em exercício do Rio bloqueia mais de R$ 700 milhões para obras e exonera mais 94 funcionários
O governador em exercício do Rio, o desembargador Ricardo Couto, bloqueou a liberação de R$ 730 milhões para obras de asfaltamento de ruas e contenção de encostas destinadas a prefeituras do interior do estado. O dinheiro foi retirado do chamado "fundo soberano", uma espécie de poupança pública feita com os royaties do petróleo, horas antes do então governador Cláudio Castro renunciar ao cargo.
Na última reunião do ex-governador, foram aprovados projetos do Departamento de Estradas de Rodagem, da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas e da Secretaria de Cidades.
No caso da Secretaria das Cidades não havia qualquer detalhamento ou especificação de onde e para que a verba seria usada. A pasta era comandada na ocasião pelo escolhido do PL para a sucessão de Cláudio Castro no governo estadual: o deputado Douglas Ruas, atual presidente da Alerj.
Para o especialista em administração pública, Cláudio Gurgel, as medidas de Ricardo Couto são coerentes com o momento atual.
Em nota, o governador em exercício, informou que "por ora, não haverá liberação de recursos do fundo soberano e que os projetos apresentados pelas áreas serão analisados pelas instâncias técnicas do novo governo."
O governador em exercício também exonerou 94 pessoas em edição extra do Diário Oficial, nesta segunda-feira. Com as demissões anunciadas desde semana passada, o total chega a 638 exonerações.
Dessa vez, os cargos eram vinculados à Secretaria de Governo, à Casa Civil e à Secretaria de Gabinete do Governador. Os atingidos pela medida incluem servidores que disputaram eleições para vereador em cidades do interior, não foram eleitos e acabaram designados para funções em locais distantes de onde moram. Parte das exonerações também mira funcionários que não estariam em atividade, conhecidos como “fantasmas”.
Segundo o governo, auditorias identificaram inconsistências funcionais, como ausência de acesso a sistemas internos e falta de credenciamento institucional. A estimativa é de economia de cerca de R$ 8 milhões por ano. Com os três cortes recentes realizados na Segov, a economia anual acumulada já beira R$ 30 milhões, de acordo com a pasta.
Um dos exonerados nessa última leva é Fabio Santos Malafaia, sobrinho do pastor Silas Malafaia. Ele ocupava o cargo em comissão de Coordenador da Coordenadoria de Parceria da Secretaria de Estado de Governo.
