Googlebook: Google cria nova classe de computadores ao fundir o Android com Chrome OS; conheça
O Google apresentou nesta terça (12) o Googlebook, uma nova classe de computadores pessoais, que combina seus dois principais sistemas operacionais, o Android e o Chrome OS. A nova categoria chega 15 anos após a gigante lançar o Chromebook, computadores de baixo custo, e deve revitalizar a corrida por laptops na era da inteligência artificial (IA).
Segundo a empresa, a nova classe integra partes importantes do Android, como os apps, com elementos do Chrome OS, como navegador, extensões e acesso rápido a serviços da empresa. A “cola” entre as duas partes é o Gemini Intelligence, a camada de IA revelada também nesta terça, que vai permear profundamente o Android 17.
A companhia afirma que a nova classe foi concebida com a IA como parte vital de sua existência. “Reinventamos os laptops para a era da computação em nuvem com o Chromebook. Mas muita coisa aconteceu desde então. Com a transição do sistema operacional para um sistema inteligente, acreditamos que também chegou a hora de uma reinvenção fundamental”, disse Alex Kuscher, diretor sênior de ChromeOS, em apresentação para jornalistas.
Assim, os computadores terão hardware premium para dar conta das tarefas. Parte dos modelos rodarão diretamente no equipamento, enquanto outras IAs continuarão rodando na nuvem do Google, como confirmou o executivo.
Detalhe do Googlebook, nova classe de computadores do Google
Google/Divulgação
Embora a companhia não tenha revelado detalhes do hardware necessário para que um computador pertença à classe dos Googlebooks — mais detalhes virão no segundo semestre —, essa é uma visão antagônica ao Chromebook original, que apostava em equipamentos de baixo custo com a intenção de conquistar usuários com necessidades básicas, como estudantes e jovens ainda fora do mercado profissional.
Entre os parceiros do Google estarão Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo em uma nova era da disputa por computadores de baixo custo. Embora o Chromebook represente uma fatia muito pequena do mercado global (1,5% de market share contra 63% do Windows, segundo a Statcounter), esses equipamentos têm forte presença no setor educacional, especialmente nos EUA. O Brasil também aparece como mercado importante da categoria.
No primeiro trimestre deste ano, no entanto, as vendas de Chromebook encolheram 11,5%, com 4,5 milhões de unidades comercializadas, segundo a consultoria Omdia. A fusão entre smartphones e notebooks deve reaquecer o mercado.
Recentemente, a Apple lançou o MacBook Neo, seu notebook de baixo custo, que já começou a roubar mercado dos Chromebooks — o computador leva um chip de iPhone, o A18 Pro, primeira vez na história que a Apple aposta no formato. Atualmente, há fila de espera de duas a três semanas para receber os aparelhos, incluindo no Brasil. A proposta de um bom equipamento para usos básicos chamou a atenção e mexeu com o segmento.
Por enquanto, o Google, que considera o Googlebook como parte do ecossistema Android, não revelou a faixa de preços da nova categoria e nem os países onde serão lançados. Atualmente, há poucas opções de Chromebooks à venda no Brasil em uma faixa entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil.
Recursos
Poucos detalhes sobre os Googlebooks foram apresentados nesta terça. Além do Gemini Intelligence, os computadores terão o "Create My Widget", que permite ao usuário construir widgets, componentes de interface que trazem informações rápidas, usando linguagem natural. A ferramenta foi lançada com o Android 17.
Diferente dos Chromebooks, que rodam aplicativos Android de forma emulada, o Googlebook permitirá abrir e usar os aplicativos do celular diretamente na tela inicial do laptop, sem precisar baixá-los novamente — é um recurso parecido com o que a Apple destacou no lançamento do MacBook Neo.
Os arquivos do Android aparecerão nativamente no navegador de arquivos do Googlebook, dispensando o envio de e-mails para si mesmo ou transferências manuais.
Resumo de recursos do Googlebook, lançado nesta terça
Google/Divulgação
Por fim, o Google sugere que será capaz de reinventar o mouse quase 60 anos após o periférico ser apresentado ao mundo pelo engenheiro Douglas Engelbart. O banho de loja na “setinha” será dado por recursos com sabor de agentes de IA.
“É bem surpreendente que a tecnologia não tenha evoluído nada desde a última inovação, que foi a introdução do clique com o botão direito. Então, com a inteligência Gemini, pensamos que poderíamos realmente mudar o que significa ter um cursor na tela”, afirmou Kuscher.
O Magic Pointer vai oferecer sugestões de ações baseadas no que está na tela. Ou seja, a IA será capaz de “enxergar” a mesma coisa que o usuário e entender o contexto: se você apontar para uma data em um e-mail, ele sugere agendar uma reunião; se selecionar duas imagens — como uma poltrona e sua sala de estar —, ele pode visualizá-las juntas. Segundo a empresa, as IAs capazes de fazer essas sugestões rodarão no próprio hardware dos computadores.
