Google precisa permitir acesso a seus mecanismos de buscas, defende Comissão Europeia
A Comissão Europeia propôs que a Google permita que mecanismos de busca de terceiros acessem seus dados de pesquisa, incluindo aqueles de chatbots de inteligência artificial com funcionalidades de busca, para cumprir a Lei dos Mercados Digitais da União Europeia(Digital Markets Act), informou o braço executivo do bloco europeu nesta quinta-feira.
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Segundo a agência Reuters, a comissão informou que as medidas propostas pela UE abrangem o escopo, os meios e a frequência dos dados de busca que o Google deve compartilhar, medidas para garantir que os dados pessoais sejam mantidos anônimos, processos que regem o acesso dos beneficiários aos dados de busca e parâmetros para a definição de preços desses dados.
A Comissão explicou que o objetivo das medidas é permitir que mecanismos de busca on-line de terceiros, ou "beneficiários de dados", otimizem seus serviços de busca e contestem a posição do Google Search.
As partes interessadas têm até 1º de maio para apresentar suas opiniões sobre as medidas propostas, com uma decisão final prevista para julho, aponta a Comissão Europeia.
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O Google, o mecanismo de busca mais popular do mundo, foi acusado em março de 2025 de violar o a Lei de Mercados Digitais da UE. A empresa apresentou suas próprias propostas para apaziguar concorrentes e reguladores do bloco europeu, mas rivais reclamaram que as medidas eram insuficientes.
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Em entrevista à Reuters, a conselheira sênior de concorrência do Google, Clare Kelly, afirmou que a gigante de tecnologia lutará contra as medidas, que, segundo a empresa, ''extrapolam os limites e colocariam em risco a privacidade dos usuários''.
“Centenas de milhões de europeus confiam ao Google suas buscas mais sensíveis — incluindo questões privadas sobre sua saúde, família e finanças — e a proposta da Comissão nos obrigaria a entregar esses dados a terceiros, com proteções de privacidade perigosamente ineficazes”, disse ela em um comunicado.
A Reuters lembra que, desde 2017, a gigante americana de buscas já acumulou € 9,71 bilhões (US$ 11,43 bilhões ou R$ 56,9 bilhões) em multas por diversas infrações antitruste na Europa. As multas por violações do Digital Markets Act podem chegar a até 10% da receita anual global de uma empresa.
