As ações da Alphabet, dona do Google, sofreram uma queda histórica na quinta-feira (29). O tombo veio após resultados financeiros abaixo das expectativas e preocupações com os gastos cada vez maiores em inteligência artificial, que estão pressionando o caixa da companhia.
O mercado financeiro deu um duro golpe na Alphabet. A companhia perdeu aproximadamente meio trilhão de dólares em valor de mercado, registrando seu pior desempenho diário desde a abertura de capital do Google, em 2004.
A queda superou as perdas registradas pela empresa durante a pandemia de Covid-19 e a crise financeira de 2008. Foi a segunda maior destruição de valor de mercado em uma única sessão na história, atrás apenas da Nvidia, que perdeu quase US$ 600 bilhões no início de 2025.
O movimento aconteceu depois que a Alphabet apresentou resultados trimestrais de vendas inferiores às projeções dos analistas, na quarta-feira (28). O problema não está apenas nos números.
Investidores começaram a questionar quanto dinheiro a empresa precisará gastar para continuar competindo no mercado de inteligência artificial. Uma das principais preocupações envolve a publicidade nas buscas do Google, responsável por uma parcela importante das receitas da Alphabet.
O crescimento desse negócio perdeu força justamente quando ferramentas de inteligência artificial começaram a mudar a maneira como os usuários procuram informações na internet. Em vez de realizar pesquisas tradicionais, parte dos consumidores está recorrendo diretamente a chatbots, incluindo ferramentas desenvolvidas pelo próprio Google e por empresas concorrentes.
Essa mudança levanta dúvidas sobre a capacidade da Alphabet de manter seu modelo de publicidade enquanto amplia os serviços baseados em inteligência artificial. Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, afirmou que o temor é que essa transformação aconteça mais rapidamente do que o Google consiga adaptar seus negócios.
Os investimentos da Alphabet também chamaram atenção pelo tamanho. Somente no terceiro trimestre, a companhia registrou US$ 51,4 bilhões em despesas de capital.
Para comparação, durante todo o ano de 2025, esses gastos somaram US$ 91,4 bilhões. Boa parte dessa expansão está ligada à infraestrutura necessária para desenvolver e operar sistemas de inteligência artificial, incluindo grandes centros de processamento de dados.
A Alphabet registrou seu segundo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre negativo. Até este ano, a empresa nunca havia apresentado um trimestre com esse resultado desde sua estreia na bolsa.
O indicador mostra quanto dinheiro sobra depois das despesas operacionais e dos investimentos necessários ao funcionamento da companhia. Quando esse saldo fica negativo, diminui a disponibilidade imediata de recursos para dividendos, recompra de ações e outros investimentos.
Enquanto a Alphabet enfrenta dificuldades para equilibrar investimentos e geração de caixa, a Microsoft apresentou um cenário diferente. A empresa informou fluxo de caixa livre positivo de US$ 18,6 bilhões no terceiro trimestre, mesmo mantendo investimentos bilionários em inteligência artificial.
Na quinta-feira, suas ações encerraram o pregão praticamente estáveis, enquanto os papéis da Alphabet despencaram. Richard Reyle, diretor de investimentos da Questar Capital Partners, afirmou que o mercado está começando a diferenciar empresas que gastam de maneira racional em inteligência artificial daquelas que ainda precisam demonstrar essa capacidade.
A disputa por infraestrutura de inteligência artificial continua movimentando centenas de bilhões de dólares. A Anthropic, por exemplo, apresentou recentemente seu prospecto de abertura de capital e sinalizou planos de gastar grandes quantias alugando capacidade computacional de empresas como a Alphabet.
Entretanto, essas receitas futuras ainda dependem da concretização dos investimentos e da rentabilidade dos serviços de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, gigantes da tecnologia estão recorrendo ao endividamento e aos mercados financeiros para financiar sua expansão.
O crescimento dos negócios de computação em nuvem indica demanda por serviços relacionados à inteligência artificial, mas não elimina as preocupações com os custos. Para a Alphabet, o desafio agora é demonstrar que os investimentos em infraestrutura poderão gerar retornos financeiros suficientes, sem comprometer a capacidade de geração de caixa da empresa.
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