O Google Beam, a tecnologia de videochamada 3D que a empresa apresentou durante anos como Project Starline, vai chegar a 20 locais da United Service Organizations (USO) em todo o mundo. O anúncio foi feito esta segunda-feira e representa mais um passo na comercialização de uma solução que, até aqui, tinha chegado sobretudo a empresas e a espaços de coworking através da parceria com a HP.
A novidade não é apenas geográfica. O que muda é o tipo de utilizador: famílias de militares destacados, que passam meses separadas por continentes e para quem uma videochamada tradicional dificilmente substitui a presença.
A expansão surge depois de um programa piloto na Polónia e no Texas, agora alargado a Grafenwöehr, na Alemanha, e a Fort Hood, no Texas, além dos dois locais que já funcionavam. O Google Beam é a designação comercial da tecnologia que a empresa apresentou durante anos como Project Starline.
A proposta é criar uma sensação de profundidade e presença numa conversa à distância, com vídeo tridimensional em vez do tradicional ecrã plano. A solução que chega agora às bases militares chama-se HPDimension com Google Beam, o que confirma que a HP continua a ser o parceiro de hardware nesta fase.
A informação foi avançada originalmente por 9to5Google. Não se trata de realidade virtual nem de avatares.
É uma cabine física, com ecrã e câmaras, pensada para conversas entre duas pessoas ou pequenos grupos. A descrição oficial fala em comunicação vídeo 3D «verdadeiramente realista», capaz de fazer as famílias sentir que estão no mesmo espaço.
É linguagem de marketing, mas descreve bem o objetivo técnico: reduzir a distância percebida numa chamada. Para o leitor português, a relevância imediata é limitada.
As fontes fornecidas não indicam qualquer disponibilidade do Google Beam em Portugal, nem preços, nem calendário para o mercado nacional. A expansão agora anunciada é institucional e está concentrada em locais da USO, uma organização de apoio às forças armadas norte-americanas.
Quem esperava uma cabine Beam num espaço de coworking em Lisboa continua sem resposta. O AndroidGeek já tinha abordado este contexto em Gemini usa locais guardados no Maps para responder e substitui Deep Think por Argon: App Gemini passa a cruzar pesquisas e locais guardados no Maps com o calendário.
Google avisa subscritores AI Ultra de que o Argon substitui o Deep Think. A escolha deste público não é casual.
As famílias militares vivem separações longas, muitas vezes com fusos horários incompatíveis e ligações de rede irregulares nas bases. Uma videochamada convencional resolve o essencial, mas não a intimidade de uma conversa à mesa.
É precisamente aí que o Beam tenta diferenciar-se, ao recriar a noção de espaço partilhado. O Google associou-se ainda a Kyle Hausmann-Stokes, cineasta e veterano, para produzir uma docusérie sobre a utilização da tecnologia neste contexto.
A série acompanha quatro famílias em Fort Bliss, no Texas, a usar as cabines 3D. É conteúdo promocional, mas também um sinal de que a empresa quer construir uma narrativa de utilidade social em torno do produto, e não apenas de inovação corporativa.
O percurso do Beam tem sido gradual. Primeiro nas empresas, depois em espaços de coworking através da HP, agora em instalações da USO.
Cada etapa acrescenta um tipo de utilizador diferente, mas mantém a mesma lógica: a tecnologia não é vendida como um produto de consumo, mas como uma solução instalada em locais específicos. Isso tem consequências práticas.
Uma cabine Beam exige espaço, equipamento dedicado e ligação de rede com qualidade. Não é algo que se compre numa loja e se monte em casa.
Para o utilizador comum, o acesso depende de existir uma cabine por perto, o que explica porque é que a expansão é sempre feita por parcerias e não por lançamento comercial aberto. A comparação com rivais diretos é difícil com os dados disponíveis.
Não há, nas fontes, especificações técnicas comparáveis de soluções concorrentes, nem preços que permitam um posicionamento claro. O que se pode dizer é que o Beam continua a ser uma proposta de nicho, mais próxima de uma infraestrutura de comunicação do que de um gadget.
Há várias questões em aberto. As fontes não indicam quantas cabines serão instaladas em cada local, nem se o acesso será gratuito para as famílias, nem que requisitos de rede são necessários.
Também não há calendário detalhado para além dos locais mencionados. E, sobretudo, não há qualquer indicação de que o Google Beam chegue a Portugal num futuro próximo.
A leitura prudente é esta: o anúncio é relevante como sinal de maturação da tecnologia, mas não altera o quotidiano do consumidor português. O Beam continua a ser uma experiência que se visita, não que se compra.
Para quem acompanha a evolução das videochamadas, vale a pena observar como a HP e o Google resolvem os custos de instalação e a qualidade da ligação em locais remotos. É aí que se decide se esta tecnologia fica nas bases militares ou se chega, um dia, a um espaço de coworking perto de ti.
Leiam as últimas notícias do mundo da tecnologia no Google News , Facebook e X (ex Twitter) .
Android Geek