O Google, da Alphabet, começou a implementar nesta terça-feira (8) mudanças em seus resultados de busca on-line na Europa para atender às exigências dos órgãos reguladores antitruste da União Europeia, uma medida que, segundo a empresa, piorará a experiência dos usuários e aumentará os custos para empresas europeias. As mudanças representam a maior redução na qualidade do serviço do mecanismo de busca na internet mais popular do mundo em seus 29 anos de história, disse um executivo do Google à Reuters. O Google afirmou que a União Europeia apresentou as mudanças como uma forma de criar condições mais equilibradas para que as empresas anunciem. No entanto, segundo o Google, na prática as alterações favorecem sites de comparação de preços, também conhecidos como serviços de busca vertical (VSS), ligados a setores como hotéis, companhias aéreas e restaurantes, como Expedia e Booking.com. Esses serviços passam a ter maior destaque nos resultados de busca do que empresas desses setores que aparecem apenas com um link para seus sites, números de telefone e endereços. A gigante de tecnologia dos Estados Unidos recebeu em julho uma multa de 460 milhões de euros (US$ 534 milhões) por favorecer seus próprios serviços nos resultados de busca relacionados a compras, hotéis, transporte e esportes, em violação à Lei dos Mercados Digitais da União Europeia, que busca limitar o poder das grandes empresas de tecnologia. A Comissão Europeia deu à empresa 60 dias para cumprir a Lei dos Mercados Digitais ou correr o risco de receber multas periódicas de até 5% de seu faturamento mundial total. Os resultados de busca reformulados destacarão um mecanismo de busca especializado no topo da página, seguido por outros dois com menos detalhes, enquanto um carrossel de hotéis, companhias aéreas e restaurantes, por exemplo, aparecerá abaixo deles, sem informações importantes, como preços em tempo real. A classificação será determinada pelo algoritmo do Google. “Para cumprir as exigências da Lei dos Mercados Digitais, estamos fazendo mudanças significativas na Busca na Europa”, disse Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, em comunicado à Reuters. “Essas mudanças pioram a experiência dos usuários europeus — favorecendo intermediários online em detrimento de empresas locais e removendo recursos úteis dos quais as pessoas dependem todos os dias. Usuários fora da União Europeia não serão afetados por essas mudanças”, afirmou. O Google disse que mudanças anteriores adotadas para cumprir a Lei dos Mercados Digitais levaram a uma queda de 30% no tráfego gratuito de reservas diretas para empresas europeias e que as alterações mais recentes também devem afetá-las. A empresa afirmou ter testado as mudanças com milhões de usuários na Europa, e os resultados mostraram um alto nível de insatisfação, já que eles precisam refazer as buscas para encontrar o que procuram. O Google acumula um total de 10,38 bilhões de euros em multas antitruste aplicadas pela União Europeia ao longo de quase duas décadas.
As multas da União Europeia provocaram críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou abrir uma investigação sobre o “roubo” de empresas americanas pelo bloco.
David Paul Morris/Bloomberg
Valor