O golpe do Desenrola Brasil usa páginas falsas, dados pessoais e recursos de inteligência artificial para simular um atendimento oficial de renegociação de dívidas.
Identificada pela Kaspersky, a fraude termina com uma cobrança por Pix para supostamente concluir o acordo, mas o pagamento não quita nenhuma dívida.
Entenda como o golpe funciona, como identificar sites falsos e o que fazer se você caiu na fraude.
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Golpe usa página falsa do Desenrola Brasil para cobrar suposta taxa de negociação; saiba se proteger
Reprodução/GOV editado por Késya Holanda
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Índice
Como funciona o golpe do Desenrola que usa IA
Como os criminosos usam IA para simular atendimento
Por que ter seus dados na página não significa que o site é oficial
O golpe termina com uma cobrança por Pix
Como identificar o golpe do Desenrola
Caí no golpe: o que fazer?
1.
Como funciona o golpe do Desenrola que usa IA
O golpe começa quando a vítima encontra um anúncio nas redes sociais ou um site que divulga uma suposta oportunidade de renegociação pelo Novo Desenrola Brasil, programa do Governo Federal que facilita a renegociação de dívidas.
Ao acessar o endereço, ela encontra uma página construída para parecer um serviço oficial, com elementos visuais, textos e imagens que remetem ao governo.
Em seguida, o site solicita informações como CPF.
Depois de inserir o dado, a página simula uma consulta e apresenta informações pessoais da vítima, como nome completo e data de nascimento.
Também podem aparecer detalhes sobre supostas dívidas, instituição credora e situação financeira.
A sequência faz parecer que o sistema realizou uma consulta oficial e identificou débitos vinculados àquele CPF.
Na verdade, essas informações são utilizadas pelos criminosos para dar credibilidade à fraude.
Depois da suposta análise, a página apresenta uma proposta de renegociação, geralmente acompanhada de um desconto muito alto.
A vítima é então direcionada para uma etapa de atendimento, na qual os criminosos continuam conduzindo a negociação.
No fim do processo, são cobradas taxas administrativas e de processamento por Pix.
Essas cobranças não fazem parte do serviço oficial - é importante destacar que o Novo Desenrola Brasil oficial é um serviço gratuito para o cidadão.
Golpe do desenrola leva vítimas ao prejuízo na busca pela quitação de dívidas
Divulgação/Kaspersky
2.
Como os criminosos usam IA para simular atendimento
Para tornar a fraude mais convincente, os criminosos podem usar mensagens, áudios e vídeos que simulam o contato com um atendente, na maioria das vezes gerados por inteligência artificial.
A estratégia funciona porque a interação deixa de parecer uma página estática.
Em vez de simplesmente preencher um formulário, a vítima acompanha uma conversa que responde às etapas da suposta negociação e utiliza informações relacionadas ao seu próprio caso.
É importante destacar que o uso de IA, por si só, não significa que um atendimento seja fraudulento.
Serviços legítimos também utilizam chatbots, mensagens automáticas e outras ferramentas para atender clientes.
O problema está na combinação desses recursos com uma página falsa, promessas de descontos e uma cobrança que não existe no serviço oficial.
3.
Por que ter seus dados na página não significa que o site é oficial
Um dos elementos que mais podem confundir a vítima é encontrar informações verdadeiras sobre si mesma no site.
Ver o próprio nome, CPF, data de nascimento ou uma suposta dívida pode dar a impressão de que a página está conectada a uma base do governo.
Isso, porém, não comprova que o endereço seja legítimo.
Dados pessoais podem chegar às mãos de criminosos por diferentes caminhos, incluindo vazamentos de informações e bases comercializadas ilegalmente.
Com esses dados, os golpistas conseguem montar abordagens muito mais convincentes.
Por isso, saber o CPF de uma pessoa não significa que o criminoso tenha acesso a sistemas governamentais; a informação pode ter sido obtida anteriormente e utilizada apenas para aumentar a confiança.
A estratégia é um exemplo de engenharia social, em que os criminosos usam informações e situações conhecidas pela vítima para influenciar suas decisões.
“Essa campanha combina dois elementos comuns em golpes de engenharia social: a expectativa de resolver rapidamente um problema e a sensação de segurança criada pela exibição de dados pessoais verdadeiros”, explica Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky.
Uso de dados pessoais das vítimas busca trazer confiabilidade aos golpistas
Divulgação/Kaspersky
4.
O golpe termina com uma cobrança por Pix
Depois de apresentar a suposta proposta de renegociação, o site informa que é necessário pagar uma taxa para concluir o acordo, como citado anteriormente.
A página pode afirmar que o pagamento é necessário para liberar a redução do valor ou finalizar a regularização da dívida.
Para aumentar a pressão, os criminosos prometem benefícios como descontos de até 99%, além da retirar o nome dos cadastros de inadimplentes e aumento do score de crédito.
A cobrança é falsa.
O dinheiro enviado por Pix não é usado para quitar a dívida e não conclui nenhuma renegociação.
Segundo a Kaspersky, os valores identificados na campanha são direcionados para contas utilizadas pelos criminosos.
5.
Como identificar o golpe do Desenrola
Alguns sinais podem ajudar a perceber que uma página não pertence ao governo ou à instituição responsável pela dívida.
O primeiro deles é o próprio endereço do site.
Mesmo que a página tenha aparência oficial, é importante conferir a URL antes de informar qualquer dado.
Também merece desconfiança uma oferta que promete descontos muito elevados, aumento do score ou retirada rápida do nome dos cadastros de inadimplentes.
A situação fica ainda mais suspeita quando a página exige o pagamento de uma taxa por Pix para liberar o benefício.
Outro cuidado é com anúncios e links recebidos por redes sociais, WhatsApp, SMS ou e-mail.
Em vez de clicar diretamente nesses conteúdos, o usuário deve acessar os canais oficiais digitando o endereço no navegador ou entrando pelo portal Gov.br.
Também não é recomendável considerar a presença de dados pessoais como prova de autenticidade.
Nome, CPF e outras informações podem estar em bases acessadas por criminosos e ser usadas justamente para dar aparência legítima à fraude.
6.
Caí no golpe: o que fazer?
Quem realizou um Pix para uma página fraudulenta deve entrar em contato com o banco o quanto antes e informar que foi vítima de um golpe.
É possível solicitar a contestação da transferência e a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado pelo Banco Central do Brasil para casos de fraude, golpe ou coerção envolvendo Pix.
A orientação é que a vítima faça a solicitação o mais rápido possível.
O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação, mas a comunicação imediata aumenta a possibilidade de os valores ainda estarem disponíveis na conta que recebeu o dinheiro.
Também é importante registrar um boletim de ocorrência e guardar todas as evidências.
Comprovante do Pix, prints das páginas, endereço do site, anúncios, mensagens, áudios e vídeos podem ajudar na investigação.
Todo o procedimento pode ser feito online, através do site da Delegacia Eletrônica.
Depois da fraude, a atenção deve continuar.
Como os criminosos podem ter coletado dados pessoais durante o falso atendimento, é importante acompanhar movimentações bancárias, solicitações de crédito, abertura de contas e outras atividades que não tenham sido realizadas pela própria vítima.
Caso informações de login ou senha tenham sido fornecidas, elas também devem ser alteradas imediatamente.
Caso tenha caído no golpe, o primeiro passo é fazer a contestação da transferência
Mariana Saguias/TechTudo
Com informações de Kaspersky
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