Gol do Palmeiras contra o Remo foi anulado corretamente? Veja o que diz a regra!

 

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A partida entre Remo e Palmeiras, disputada no último domingo (10) no Mangueirão, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou em empate por 1 a 1, mas a discussão sobre a arbitragem polêmica está longe de ser encerrada. O jogo ficou marcado por dois lances envolvendo toques de mão de jogadores do Palmeiras que geraram reclamações das duas equipes.


O episódio mais polêmico aconteceu nos acréscimos do 2º tempo: Bruno Fuchs marcou o que seria o segundo gol do Palmeiras, mas o VAR anulou o tento após identificar um toque de mão de Flaco López na disputa anterior. O árbitro Rafael Klein, ao comunicar a decisão, foi taxativo: "Já visualizei aqui. É uma mão, através desse braço a bola sobra para o jogador de branco fazer o gol. Estou anulando o gol por tiro livre indireto por mão sancionável."


Para o Palmeiras, porém, a decisão foi um erro grave. E os diversos especialistas em arbitragem consultados pela imprensa nacional concordam com o clube.


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O que aconteceu?


O lance do gol aconteceu aos 49 minutos do segundo tempo, quando Bruno Fuchs chutou para a meta de Marcelo Rangel após toque de mão de López. A ação, que no senso comum parece passível de punição, foi criticada por torcedores e jornalistas que deconhecem a regra. No entanto, ironicamente, o próprio zagueiro autor do gol explicou a regra corretamente logo após a partida.


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"Eu falei que, pelo que conheço da regra, se o Flaco fizesse o gol, teria que ser anulado. A bola pegou na mão do Flaco, só que sobrou para mim. A regra é bem clara: não foi uma mão intencional dele. Foi uma bola perto e sobrou para mim, que fiz o gol. Não sei se eles têm que saber a regra. Eu tentei conversar, falei: 'Klein, a regra é clara, a bola bateu no Flaco e sobrou para mim, não sobrou para ele'", desabafou Fuchs.


O que diz a regra?


Para entender se o gol foi ou não corretamente anulado, é preciso ir direto ao texto oficial, que é indiscutível. As orientações sobre toques de mão estão previstas na Regra 12 do futebol, que trata de faltas e conduta antidesportiva. Em março de 2021, durante a 135ª reunião anual da International Football Association Board (IFAB), o tema recebeu atenção especial devido às interpretações equivocadas em diversas partidas. O órgão reforçou que nem todo toque no braço ou na mão configura infração.


A regra mais recente exclui como infração o toque acidental de mão antes da bola chegar ao autor do gol e distingue situações claramente. As recomendações da IFAB preveem como infrações:


toques deliberados com o braço ou mão na bola;

toques quando o braço ou mão ampliam o corpo de forma antinatural e

gols marcados diretamente com a mão ou braço, mesmo que acidentalmente.


A regra é bem nítida ao diferenciar a situação em que o próprio jogador que toca na mão marca o gol daquela em que o toque acidental acontece antes da conclusão de outro atleta. No lance em questão, Flaco López tocou na bola acidentalmente — e quem fez o gol foi Bruno Fuchs. Ou seja: gol legal, não confirmado pelo VAR.


Palmeiras questiona injustiça


Após a partida, o diretor de futebol Anderson Barros leu publicamente o texto da regra da IFAB para defender que o lance não deveria ter sido anulado. Barros ainda cobrou publicamente "providências urgentes" da CBF.


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O Palmeiras também publicou um vídeo nas redes sociais comparando o lance anulado com um toque de mão similar ocorrido em outra partida do Brasileirão — no qual o gol foi validado —, questionando a inconsistência nas decisões de arbitragem ao longo da competição.


Remo também reclama da arbitragem


Por volta dos 40 minutos do 1º tempo, Patrick cruzou e a bola tocou no braço de Marlon Freitas. Neste caso, o lance não é claro e seria interpretativo, mas com grande chance do pênalti ser marcado para o Leão, afinal a regra prevê punição quando "toques quando o braço ou mão ampliam o corpo de forma antinatural".


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Caberia, então, ao árbitro e ao VAR interpretar o lance. Porém, isto não ocorreu. Após o apito final, o executivo do Remo criticou a omissão do VAR. Ou seja: o Remo reclamou da arbitragem pelo lado oposto — um pênalti que acredita ter sido ignorado.


Jogo pode ser cancelado?


A discussão ganhou um novo capítulo fora de campo, envolvendo a possibilidade do clube recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para tentar anular o jogo. Neste caso, o Palmeiras poderia alegar um "erro de direito", isto é, ocorre quando a arbitragem aplica uma regra de forma incompatível com o texto oficial da norma.


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Para que isso aconteça, normalmente dois fatores precisam estar presentes: um erro de direito da arbitragem e um lance considerado "capital", ou seja, decisivo para o resultado. É diferente de um erro de interpretação, que envolve avaliação subjetiva do lance. Historicamente, o STJD entende que as divergências interpretativas fazem parte do futebol e não justificam anulação, o que diminuem quase a zero a chance da anulação ocorrer. Assim, fim de jogo (mas não da polêmica): Remo 1 x 1 Palmeiras mesmo, independente de toda e qualuqer reclamação.