Em uma das ocorrências, a PRF apreendeu cerca de 1.200 ampolas de tirzepatidaPRF A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 9.492 ampolas e canetas emagrecedoras nas rodovias federais de Goiás entre 1º de janeiro e 19 de outubro de 2026. O balanço reúne as duas apresentações de medicamentos utilizados para perda de peso, cujo transporte e armazenamento exigem cuidados para preservar a qualidade e a segurança.Ao iG, o policial rodoviário federal Victor Rustiguel disse que a maior parte dos produtos apreendidos vem do Paraguai. Ele afirma que boa parte é transportada como carga comum, em condições inadequadas e sem os cuidados necessários para garantir a integridade dos medicamentos.O policial explica que, dependendo das circunstâncias da ocorrência, os responsáveis pelo transporte podem responder por contrabando ou por outros crimes relacionados à saúde pública.Somente em uma ocorrência, em 21 de agosto, a PRF apreendeu cerca de 1.200 ampolas de tirzepatida no km 470 da BR-060, em Jataí, no sudoeste goiano. Os medicamentos estavam distribuídos em 295 caixas escondidas nas portas de um carro.Segundo a corporação, o motorista, de 35 anos, afirmou que receberia R$ 3 mil pelo transporte. Ele foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Jataí.O que são as canetas emagrecedoras?Popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, esses medicamentos injetáveis são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e, conforme a indicação aprovada para cada produto, da obesidade e do sobrepeso associado a outras condições de saúde. A caneta é o dispositivo utilizado para aplicar o medicamento sob a pele.Entre os princípios ativos estão semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Essas substâncias atuam em mecanismos hormonais relacionados ao controle da glicose e do apetite, favorecem a sensação de saciedade e podem retardar o esvaziamento do estômago, conforme explica artigo da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. As indicações, doses e precauções variam conforme o medicamento e as condições de saúde do paciente.De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os benefícios dos medicamentos aprovados continuam a superar os riscos quando utilizados nas condições previstas em bula. O acompanhamento médico é necessário para avaliar a resposta ao tratamento e identificar possíveis complicações.Quais são os riscos?Entre os efeitos adversos mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia e prisão de ventre. Também há risco de formação de pedras na vesícula e de pancreatite, uma inflamação do pâncreas que pode evoluir para quadros graves.Em fevereiro deste ano, a Anvisa emitiu um alerta sobre pancreatite aguda associada ao uso desses medicamentos e reforçou os cuidados contra o uso indiscriminado.Os produtos irregulares acrescentam outros riscos ao tratamento. Segundo a Anvisa, medicamentos de origem desconhecida não oferecem garantia de composição, pureza, qualidade e conservação. Sem controle adequado, pode haver contaminação ou perda de efeito.As condições de transporte também interferem na segurança. Em nota técnica conjunta, a Anvisa e a Polícia Federal apontam falhas na manutenção da refrigeração entre os problemas identificados na circulação irregular desses medicamentos. A conservação inadequada pode comprometer a integridade dos produtos.Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos em farmácias e drogarias exige retenção da receita, que tem validade de até 90 dias. A Anvisa orienta que os usuários procurem atendimento médico imediato diante de dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando se estende para as costas e vem acompanhada de náuseas ou vômitos.
GO: PRF apreendeu 9 mil ampolas de medicamentos para emagrecer
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