Gleisi rebate Ratinho Jr. e diz que oposição tenta se aproveitar da crise venezuelana
A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), rebateu declaração do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), sobre os ataques dos Estados Unidos à Venezuela neste sábado e afirmou que a oposição no Brasil tenta se aproveitar da crise.
A ministra afirmou que integrantes da oposição que celebraram os ataques não o fizeram em nome da defesa da democracia e disse que essa postura reflete o desejo desses políticos “de uma intervenção estrangeira no Brasil”.
O governo Donald Trump realizou ataques na Venezuela neste sábado e capturou o líder chavista Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores. Em fala à imprensa nesta tarde, o americano disse que os EUA vão administrar a Venezuela até uma “transição apropriada”, sem dar prazo para isso, além de afirmar que o país irá controlar as reservas de petróleo venezuelanas.
A ação americana foi celebrada por governadores de direita, entre eles Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho. O terceiro afirmou em publicação nas redes que a ação de Trump foi “brilhante”. O governador do Paraná buscou não se alinhar a Trump durante o tarifaço no ano passado, mas, desta vez, elogiou a postura do presidente americano.
“Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela, um povo que estava sendo oprimido há décadas por tiranos antidemocráticos. Viva a liberdade! Viva a democracia! Viva a Venezuela!”, escreveu Ratinho Jr.
Integrantes do governo e aliados de Lula, por sua vez, criticaram os ataques, afirmando ser necessário o respeito à soberania dos países e alertando para violações ao direito internacional. Gleisi rebateu diretamente Ratinho, dizendo que a “euforia” do governador e de “outros bolsonaristas” com os atos “não tem nada a ver com defesa da democracia”.
“Ao contrário, reflete o desejo de uma intervenção estrangeira no Brasil, contra a nossa democracia. Era o projeto do traidor Eduardo Bolsonaro, com o tarifaço e as sanções da Magnitsky, que fracassou e foi repudiado pela sociedade brasileira. É simplesmente vergonhoso que a oposição de extrema-direita tente se aproveitar dessa maneira da crise venezuelana, que ameaça a estabilidade de todo o continente”, escreveu a ministra em publicação nas redes.
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, também elevou o tom, afirmando que o ataque americano “é a ação imperialista mais grave que já vivenciamos” e defendeu uma unidade latino-americana em apoio a Venezuela.
“Alguém acha que Trump está preocupado com democracia? Ele quer petróleo. E mais: usa a Venezuela como precedente para uma nova Doutrina Monroe que ameaça toda a América Latina. Nem na Guerra Fria houve uma ação militar direta dos EUA em nosso continente. Ainda mais com sequestro de um chefe de Estado. É momento de unidade latino-americana em apoio total ao povo da Venezuela e em rechaço ao governo criminoso de Donald Trump!”, escreveu Boulos.
O presidente da República, por sua vez, adotou tom mais sóbrio para comentar a ação, apesar de ter condenado os ataques. Em comunicado nas redes, o chefe do Executivo disse que os bombardeios e a captura de Maduro (ainda que sem citá-lo nominalmente) “ultrapassam uma linha inaceitável”.
“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu Lula
