Gleisi diz que governo não foi complacente no caso Master e defende rigor nas investigações

 

Fonte:


A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que o governo não tem complacência com o caso Master, defendeu rigor nas apurações. Em uma tentativa de afastar a crise do Planalto, ela disse que a investigação ocorreu durante o governo Lula.

Em um café com jornalistas, Gleisi também tentou afastar qualquer ligação de Daniel Vorcaro com o governo. Ao falar da reunião que Lula teve com o banqueiro em 2024, afirmou que o presidente recebe muita gente do setor financeiro e que sempre deu a orientação para que os órgãos atuassem com técnica e dentro da lei.

Após a divulgação de que o escritório de Ricardo Lewandowski prestava consultoria ao Master quando ele assumiu o cargo de ministro, Gleisi disse que Lula foi avisado já que Lewandowski teria que se afastar de causas privadas, mas disse que isso não foi impeditivo para que ele assumisse a pasta.

"O ministro informou que ia cumprir a lei e desvencilhar-se de todos os contratos, o que fez. Não há problema, irregularidade nenhuma e crime nenhum, ele ter contrato de consultoria. E o ministro prestou um relevante serviço para o país. E quero aqui lembrar que toda essa apuração feita em relação ao Banco Master foi feita sob a gestão do ministro Lewandowski, a gestão da Polícia Federal. E foi na gestão do ministro Lewandowski que o presidente do Master, o Vorcaro, foi preso. Então, essa situação que tentam ligar o governo ao ministro Lewandowski é uma tentativa da oposição."

Após entrar no ministério, o contrato de consultoria do Master foi transferido para o filho de Lewandovski, no mesmo escritório. A ordem no Planalto é que, daqui pra frente, os governistas insistam no discurso de que as instituições só passaram a tomar providência no governo Lula - numa referência ao Banco Central, sob o comando de Gabriel Galípolo, e da PF, subordinada a Lewandowski na Justiça.

Uma reportagem do Estadão mostra que ainda como presidente do BC, Roberto Campos Neto, não sabia dos problemas de liquidez do Master, mas evitou tomar uma medida mais drástica, como a liquidação. A informação já era conhecida desde o início de 2024.

Em meio à insatisfação da condução de Toffoli como relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra preferiu não opinar, mas defendeu que o STF atue cumprindo a lei e a Constituição, como sempre fez, segundo ela. Enquanto o PT tenta impedir a instalação da CPI do Master, com atuação do Planalto nos bastidores, Gleisi Hoffman tentou se distanciar, disse que a prerrogativa é do Congresso, mas deu recados e afirmou que a Polícia Federal já está investigando o caso.