Gleisi chama conselheiro de Trump de 'misógino de extrema direita' após fala sobre mulheres brasileiras

 

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A ex-ministra das Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que o enviado especial para Negócios Globais dos Estados Unidos, Paolo Zampolli, é "o tipo de misógino arrogante da extrema direita". Em entrevista à emissora italiana RAI, o conselheiro do governo americano classificou as brasileiras como "raça maldita" ao responder sobre acusações de abuso sexual e violência doméstica feitas pela ex-modelo Amanda Ungaro, com quem foi casado por duas décadas.

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Na ocasião, Zampolli também disse que as mulheres brasileiras seriam "programadas" para "causar confusão com todo mundo". Em resposta, Gleisi escreveu que "quem cria confusão e guerras que afetam o mundo inteiro é o chefe dele". A ex-ministra também pediu "respeito" e afirmou que no Brasil ele "não é bem-vindo".

A declaração também acontece em meio a tentativas de integrantes do governo e aliados para usar um atrito recente com os EUA, provocado após a detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, para retomar o discurso sobre soberania nacional. Depois da liberação do parlamentar, o governo americano citou a ocorrência de uma "manipulação do sistema de imigração" e pediu a retirada de um delegado da Polícia Federal do país.

Em resposta, o governo usou o princípio da reciprocidade, com a determinação da perda de credenciais de um oficial americano que atuava na PF em Brasília, e aproveitou para fazer um gesto à corporação, chamando mil aprovados no concurso público. Durante o episódio, o presidente combinou o discurso de soberania com o endurecimento das falas sobre segurança pública, estratégia de campanha para conquistar o eleitor indeciso que flerta com a possibilidade de votar no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entenda quem é Paolo Zampolli e quais são acusações relacionadas a ele

Descrito pelo jornal americano New York Times como "amigo" e "aliado de longa data" de Trump, Zampolli conheceu a ex-mulher, Amanda, em 2002, numa boate em Nova York, quando ele tinha 32 anos e agenciava modelos. Ela tinha 18 anos e, aos 19 anos, se casou com o italiano. O casal se aproximou do presidente americano e da hoje primeira-dama Melania Trump, com presença em eventos sociais.

Anos depois, Zampolli e Amanda romperam e passaram a disputar na Justiça americana a guarda do filho. Foi nesse contexto que, segundo o NYT, Zampolli descobriu que Amanda havia sido detida em Miami, sob acusações de fraude. De acordo com o jornal americano, ele teria entrado em contato com uma autoridade do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) para denunciar o suposto status imigratório ilegal dela. Ela acabou deportada em outubro do ano passado.

Em fevereiro, em entrevista exclusiva ao GLOBO, Amanda relatou situações de abuso sexual e violência doméstica praticados pelo ex-marido. Na ocasião, a ex-modelo também contou o que presenciou ao viajar a bordo do avião particular do magnata Jeffrey Epstein, o Lolita Express, em 2002, quando tinha 17 anos. No início deste mês, ela também fez uma série de publicações no X nas quais ameaçou "derrubar todo o sistema" e expor "tudo o que sabe" sobre Trump, a quem chamou de "pedófilo", e sobre a primeira-dama, Melania Trump.