Gilsons aliam tradição e modernidade em novo álbum: 'não queremos ficar presos a uma época'
Os Gilsons, trio formado por João Gil, José Gil e Fran Gil, lançam 'Eu Vejo Luz em Maior Proporção do Que eu Vejo a Escuridão', seu segundo álbum de carreira. O novo trabalho busca consolidar a identidade civil de cada membro e a sonoridade criada em conjunto.
O sucessor de 'Pra Gente Acordar', lançado há quatro anos, apresenta dez canções inéditas. A obra preserva o característico pop baiano moderno do trio, com influências de hip-hop, suas variações e música eletrônica.
Apesar de cariocas, os membros do trio não rejeitam a classificação de seu som como influenciado pela Bahia. João explica: "A influência da música da Bahia é muito clara no nosso som. Trazemos ela muito forte, intencionalmente".
Conexão com o passado e o Olodum
A trajetória do trio inclui um EP lançado em 2018, que trouxe a releitura de 'Várias Queixas'. Essa faixa, apresentada pelo bloco Olodum seis anos antes, alcançou sucesso com a personalidade Gilsons.
A lembrança do Olodum retorna no novo álbum, na faixa 'Bem Me Quer'. Ela conta com a participação de Narcizinho, um dos compositores originais de 'Várias Queixas'.
José, responsável pela produção musical, destaca que a colaboração de Narcizinho encerra um ciclo e abre outro importante. Ele considera essa participação uma forma de agradecimento.
Participações e simbolismo visual do álbum
O álbum amplia conexões com a participação de Arnaldo Antunes. Uma das faixas feitas juntos é 'Vai Chover', com tom filosófico sobre semeadura e encaixes da vida.
A capa do álbum, que ilustra uma árvore frondosa, remete à canção. Em outra perspectiva, é possível enxergar a representação da estrutura de um cérebro vista de lado.
José explica que a árvore diz muito sobre as raízes e sua manutenção. "Há o movimento, o circular, o Yin Yang, o brotar, as folhas. É um disco muito imagético, sensorial. A capa traduz isso", afirma.
O músico menciona um descompromisso em ter que aparecer na capa, ao contrário do disco anterior. A ideia era imprimir seus rostos na cena musical.
"Temos muitos ouvintes nas plataformas digitais, mas nem sempre somos reconhecidos na rua", diz. Os três afirmam adorar andar livremente por aí e que o público respeita seu espaço de forma natural.
A arte como respiro: "Minha Flor" e a perda de Preta Gil
O processo de produção do novo álbum coincidiu com a doença e a morte de Preta Gil em julho de 2025. Ela era mãe de Fran, irmã de José e tia de João.
Uma das canções, 'Minha Flor', parceria de João com Arnaldo Antunes, versa sobre despedida. A faixa tem participações de Caetano Veloso, Tom e Moreno Veloso.
Fran afirma que o álbum é um retrato do tempo e que algumas audições de 'Minha Flor' tiveram caráter terapêutico. Para os Gilsons, a música é "um respiro, uma luz".
'Minha Flor' se destaca por sua orquestração inicial, com o beat característico do trio surgindo na metade. João justifica que buscaram "a ampliação da nossa paleta sonora".
Outras colaborações e a turnê de 2026
Outras convidadas no álbum são Júlia Mestre, que canta na faixa 'Nó na Cuca'. A multi-instrumentista gambiana Sona Jobarteh também participa em 'Se a Vida Pede', com alta conexão ancestral.
A turnê do novo álbum começa em abril, com cerca de 30 shows já marcados, incluindo São Paulo em 9 de maio. A rota internacional passará pela América do Sul, Europa, Austrália, Nova Zelândia e Portugal.
Em setembro de 2026, os Gilsons se apresentam no Rock in Rio, no dia 12. Será a terceira vez do trio no festival, com Olodum e Daniela Mercury como convidados.
José e João também tocarão com Gilberto Gil no dia 7 de setembro no festival. O trio almeja uma longevidade produtiva, inspirado pelo patriarca Gilberto Gil.
João arremata: "Que possamos realizar ainda muitos discos e turnês, sempre pensando no coletivo".
