'Ghost Murmur': CIA usou pela primeira vez tecnologia secreta para localizar piloto no Irã ao rastrear batimentos cardíacos, diz jornal

 

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A CIA utilizou uma tecnologia inédita, capaz de identificar batimentos cardíacos a longa distância, para localizar e resgatar um aviador americano abatido no sul do Irã. As informações foram divulgadas, nesta terça-feira (7), pelo New York Post, que atribui o relato a fontes com conhecimento direto da operação.

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Batizada de “Ghost Murmur”, a ferramenta combina magnetometria quântica com inteligência artificial para detectar a assinatura eletromagnética de um coração humano e diferenciá-la do ruído ambiente. O nome do sistema faz referência direta à sua função: “Ghost” (fantasma) alude à capacidade de localizar pessoas desaparecidas ou ocultas, enquanto “Murmur” (murmúrio ou sussuro) remete ao ritmo ou som de um batimento cardíaco. Segundo o jornal, essa foi a primeira vez que o sistema foi empregado em uma missão real.

O aviador, identificado apenas como “Cara 44 Bravo”, teria sobrevivido por dois dias escondido em uma fenda de montanha após seu caça F-15 ser abatido. Durante esse período, tropas iranianas realizavam buscas na região, onde havia inclusive recompensa por sua captura.

Detecção em ambiente remoto favoreceu operação

De acordo com as fontes ouvidas pelo New York Post, as condições do terreno foram determinantes para o sucesso da tecnologia. A baixa interferência eletromagnética, a escassez de presença humana e o contraste térmico do deserto facilitaram a identificação do sinal vital do piloto.

O sistema teria sido desenvolvido pela divisão Skunk Works, da Lockheed Martin, e testado previamente em helicópteros Black Hawk, com possibilidade de uso futuro em caças F-35. A empresa não comentou oficialmente.

Apesar de o aviador ter acionado um dispositivo tradicional de localização, seu paradeiro exato permanecia incerto. Um momento-chave ocorreu quando ele saiu do esconderijo para emitir o sinal, permitindo que a tecnologia confirmasse sua posição.

Operação envolveu centenas de militares

A missão de resgate mobilizou centenas de soldados americanos e múltiplas aeronaves. Segundo o relato, dois aviões chegaram a ficar inutilizados em solo e precisaram ser destruídos, sem registro de baixas entre as forças dos Estados Unidos.

Autoridades americanas mencionaram a tecnologia de forma indireta em entrevista coletiva na Casa Branca. O diretor da CIA afirmou que a agência conseguiu confirmar que o aviador estava vivo e escondido, enquanto o então presidente destacou a dificuldade da operação, comparando-a a “encontrar uma agulha no palheiro”.

Ainda segundo o New York Post, não há clareza sobre o tempo de processamento necessário para a tecnologia nem sobre possíveis usos ofensivos em cenários de guerra, o que mantém o programa envolto em sigilo.