Gestação e pós-parto: entenda o que muda nos cuidados com o corpo

 

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O Dia das Mães costuma reforçar imagens idealizadas da maternidade, mas para mulheres que atravessam a gestação ou o puerpério, o período também é marcado por mudanças físicas, adaptações na rotina e dúvidas sobre os cuidados com o corpo e a pele. Alterações hormonais, surgimento de manchas, flacidez e transformações na estrutura abdominal fazem parte desse processo e exigem atenção redobrada, especialmente em relação ao que pode ou não ser mantido nos tratamentos estéticos.

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Durante a gravidez e no pós-parto, procedimentos e ativos comuns na rotina de skincare precisam ser revistos. Para esclarecer quais cuidados são recomendados em cada fase, a dermatologista Cintia Martins, da Clínica Juliana Piquet, no Rio de Janeiro, e a cirurgiã plástica Maiéve Corralo, do Instituto Maiéve Corralo, explicam quais práticas são consideradas seguras e quais demandam cautela.

O que deve ser suspenso no skincare

Segundo Cintia, a revisão dos produtos usados diariamente deve acontecer assim que a gestação é confirmada. Retinoides, como ácido retinoico, retinol e adapaleno, precisam ser interrompidos por não serem considerados seguros durante a gravidez. Clareadores como a hidroquinona e o ácido salicílico em altas concentrações também entram na lista de restrições.

Para mulheres que desejam manter o controle da acne ou das manchas, a dermatologista recomenda alternativas mais seguras. "Ativos como ácido azelaico, niacinamida e ácido glicólico em baixas concentrações são opções eficazes nesse período", explica.

No pós-parto, principalmente durante a amamentação, alguns cuidados continuam necessários. Os retinoides seguem contraindicados e o uso de determinados ácidos exige cautela para evitar contato com a pele sensível do bebê.

Melasma e procedimentos injetáveis

As alterações hormonais típicas da gravidez aumentam a predisposição ao melasma, condição caracterizada pelo surgimento de manchas escuras na pele. Por isso, a prevenção passa a ocupar papel central na rotina de cuidados.

"A prevenção envolve uso rigoroso de protetor solar, preferencialmente filtros minerais e com cor, além da redução da exposição solar direta com auxílio de barreiras físicas, como bonés e chapéus", orienta Cintia.

Sobre procedimentos injetáveis, a recomendação médica é de prudência. A especialista explica que, caso a paciente tenha realizado algum procedimento antes de descobrir a gravidez, não há motivo para pânico. "Não existem evidências de malformações associadas nesses casos. O acompanhamento pré-natal habitual é suficiente", afirma.

Mudanças no abdômen e diástase

Durante a gestação, a musculatura abdominal naturalmente se afasta para acomodar o crescimento do bebê. Segundo Maiéve, a atenção deve estar voltada à recuperação dessa estrutura após o parto.

"O principal sinal de que a paciente pode precisar de correção cirúrgica da diástase é quando o umbigo se projeta para fora, indicando fragilidade da parede abdominal", esclarece a cirurgiã.

Ela destaca que o ganho de peso excessivo costuma ser um dos fatores que mais impactam a qualidade da pele e favorecem flacidez e estrias: "Quando a mulher mantém um ganho de peso saudável, associado à hidratação da pele e drenagem linfática, a recuperação tende a ser mais favorável."

Tecnologias e recuperação no pós-parto

Ao contrário do que muitas mulheres imaginam, alguns cuidados podem ser iniciados pouco tempo após o parto. Maiéve diz que tecnologias não invasivas, como a radiofrequência, podem auxiliar na retração da pele e na redução do inchaço abdominal.

Segundo a médica, o procedimento pode ser realizado cerca de 15 dias após o parto e também aplicado na região das mamas para auxiliar na sustentação da pele durante as mudanças provocadas pela amamentação.

Nos casos em que permanece excesso de pele na parte inferior do abdômen, o ultrassom micro e macrofocado surge como alternativa. "O tratamento promove retração da pele e geralmente pode ser realizado entre 30 e 60 dias após o parto", detalha.

Mommy Makeover exige planejamento

Entre mulheres que desejam corrigir alterações nas mamas e no abdômen após a gravidez, o chamado Mommy Makeover se tornou um dos procedimentos mais procurados. A técnica combina diferentes cirurgias em uma única etapa, mas exige planejamento e respeito ao tempo de recuperação do corpo.

Maiéve ressalta que o ideal é aguardar pelo menos um ano após o parto para realizar esse tipo de cirurgia, permitindo a estabilização da estrutura muscular e óssea. Além disso, a paciente deve estar há pelo menos quatro meses sem amamentar.

"Esse intervalo reduz o risco de complicações, como inflamações e abscessos relacionados ao leite residual nas mamas", observa.

A cirurgiã ainda enfatiza que, em casos de cirurgia abdominal com correção muscular, uma nova gravidez deve ser planejada apenas após cerca de dois anos, período necessário para preservar o resultado cirúrgico e evitar complicações na parede abdominal.