Gero: saiba o que pedir no refinado restaurante italiano no Fasano, que recebeu avaliação máxima da crítica
Sou saudosa do Gero na casa de tijolinho claro, numa das esquinas da Aníbal de Mendonça, Ipanema, ponto que fez história e que logo será ocupado por um restaurante ibérico. Ponto com nó, sem volta, que lamento. Desde 2020, a filial carioca da rede paulista se mudou para a orla do mesmo bairro, virou o restaurante do Hotel Fasano. Como me disse há anos o chef Roland Villard, então à frente do Le Pré Catelan, no Sofitel (hoje Fairmont), comer em hotel não é muito a praia do carioca. “Se tiver que pegar elevador então...”. Não é nem o caso (fica no térreo), mas de fato o clima é distinto. Jantamos no Gero em dias pré-Shakira e lá estavam os fãs abonados comendo excepcionalmente bem. Como, aliás, nós também.
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Risoto de açafrão do Gero
Divulgação/Fasano
O fato de o Gero, restaurante que há sete anos é comandado pelo chef Luigi Moressa, não despontar nos rankings, não ter estrela Michelin, não estar pelas rodas mais recorrentes, talvez seja por funcionar dentro de um hotel. Nem falo de preço, porque há casas igualmente caras pelo Rio e bem cotadas nos rankings. É um restaurante de uma excelência absoluta: não há deslizes, escorregadas, falhas, tudo ali é afiado e refinado. Sem excessos ou arrogância, só gentilezas, do salão à cozinha e pelas taças, com rótulos italianos de importação própria. Salão bem cuidado (decibéis ao ponto) e cozinha italiana clássica, mas adaptada aos novos tempos. E mais o suprassumo dos insumos italianos.
É caro, o Rio é caro. Aliás, o mundo anda caro, daí, quando viajo, procuro desfrutar dos cardápios de almoço (você confere a qualidade da sua cozinha, pagando bem menos). O menu mezzogiorno do Gero, com antipasti, principal e sobremesa custa R$ 195 e você pode escolher entre salada verde com vitela ao molho de atum e alcaparras, carpaccio de atum (o cardápio traz cinco versões do prato), linguine com vôngole, ravióli de mozzarella de búfala com manjericão, tomate e manteiga, nhoque de gorgonzola. As massas frescas são feitas na hora do pedido. Chegam leves e realmente frescas. E o clima diurno é mais Rio de Janeiro.
Tiramisù do Gero
Divulgação/Fasano
Mas fomos jantar, encaramos o cardápio longo da casa. Risotos, contei seis. Gosto especialmente do de ossobuco com açafrão e cogumelos (R$ 210). Minha filha pediu carpaccio de atum com limão-siciliano com torradinhas translúcidas para acompanhar (R$ 122); o ravióli de vitelo ao funghi (R$ 170) e o cannoli alla siciliana, com ricota e raspas de siciliano (R$ 55). É o que ela pede há vinte anos, no barato.
Fui de vitello tonnato, carne macia com molho de atum e alcaparras (R$ 122) , fettucine al ragu clássico, com cubinhos de mignon, e tiramisù, o melhor daqui (R$ 70). Voltaria para comer tudo de novo (e mais o mil-folhas, a meringata, os profiteroles). Chegariam iguaizinhos, independentemente de quem estivesse no comando da cozinha. Já fiz o teste e não falha. Esse é o maior trunfo de um grande restaurante: a constância.
Gero: cinco garfinhos (excelente)
Av. Vieira Souto 80, Ipanema, Hotel Fasano (3202-4030). Seg a qua, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Qui, das 12h às 15h e das 19h à meia-noite. Sex e sáb, das 12h às 15h e das 19h à 1h. Dom, das 12h às 22h.
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