Seriam 54 “pitacos”, diz Rogério Fasano, o mais importante empresário no ramo de restaurantes do país, sobre a coletânea de frases reunidas no livro “Gero 55”, que lança no dia 10, no Rio. Mas como a “estética” do 54 não é boa, Gero sacou da memória de quem estudou Cinema em Londres uma frase de “O Poderoso Chefão”, feita sob medida para a última página da obra editada pela DBA e com ilustrações de Marcelo Cipis: “Leave the gun. Take the cannoli” (“Deixe o revólver. Leve o cannoli”).
Além disso, “o número 55 é mais bonito”, justifica o ítalo-paulistano de 64 anos e astral contagiante. Nem mesmo um delicado transplante de fígado, seis anos atrás, esvaziou sua alegria e o hábito de contar histórias divertidas e ao mesmo tempo ácidas (feito um limão-siciliano, apesar do DNA milanês). “A vida sem humor é inviável”, diz. Gero é bom de frases. E sabe disso.
Livro 'Gero 55'
Divulgação
Avesso a rankings internacionais, afirma que “o Guia Michelin boicota a Itália porque os pneus da Pirelli são muito melhores que os deles” e que não faz sentido competir “porque não somos desportistas!”. Chega a questionar o próprio prêmio que recebeu pela piscina do Fasano Rio, a sexta mais bonita do mundo. “Como se alguém pudesse mergulhar em todas...”. É por aí que vai o “Gero 55”, com frases, desenhos e receitas de 14 pratos prediletos do restaurateur. “Ele melhora tudo o que toca: um prato de espaguete, em suas mãos, assume a forma de etapa civilizatória”, diz Diogo Mainardi, grande amigo e autor do prefácio. “Gero despreza listas, mas no Michelin das amizades ele é o número um.”
O livro tem humor e tanto afeto que, inicialmente, foi pensado apenas como um presente para amigos. “Mas a editora se empolgou”, conta o autor que dá pitacos para todos os lados. “Já reparou que ninguém mais janta e sim tem uma experiência? Para que espumas e emulsões, se ainda temos dentes?”, provoca. “E os ‘hotéis-boutique’, que ideia é essa essa, que não diz nada, não define nada, não serve para nada?”, segue.
Por falar em hotel, a rede Fasano (JHSF) soma 13 hotéis entre Brasil, Uruguai e EUA e está em vias de abrir em Londres, Sardenha, Cascais e Milão (“aqui o coração dispara”). Foi na Itália que Rogério e o amigo e jornalista Arthur Dapieve estiveram juntos. “Ele tem as melhores histórias, é das pessoas mais divertidas que eu conheço. E nunca deixou de ser punk!”. O punk mais gourmet de todos. Ou vice-versa.
