Geração de empregos sofre retração em Niterói, com menos vagas para mulheres e pessoas com ensino superior

 

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Niterói criou 1.880 novos postos de trabalho formal em 2025, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Plataforma Retratos Regionais da Firjan. O número representa queda de 75,3% em relação às 7.612 vagas registradas em 2024. A retração se estende a toda a região Leste Fluminense, que viu o saldo de empregos recuar de 21.332 para 16.344 no período.

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Além da redução quantitativa, os dados apontam mudanças estruturais no perfil das vagas criadas. A cidade registrou perda de 536 postos ocupados por profissionais com ensino superior completo, enquanto expandiu em 3.118 as vagas para trabalhadores com ensino médio. O setor de serviços, responsável por 63,5% dos empregos formais do município, passou de saldo positivo de 5.855 vagas em 2024 para negativo de 52 no ano passado.

Para o economista Wanderson Castro de Oliveira, especialista em consultoria econômica, a cidade atravessa um fenômeno que vai além dos números. Embora o saldo final de empregos ainda seja positivo, a composição dessas vagas revela uma transformação profunda na estrutura do mercado de trabalho local. A perda de postos qualificados e a dependência de setores temporários, explica ele, indicam uma mudança no modelo econômico que a cidade vinha construindo nas últimas décadas.

— Niterói está vivendo uma crise de qualidade no emprego. O saldo positivo de 2025 é sustentado por vagas operacionais de nível médio na construção civil, enquanto a inteligência da cidade, os profissionais com curso superior e o setor de serviços de alto valor, está em retração — analisa Castro.

Mulheres são afetadas

A inversão no perfil educacional dos contratados representa mudança significativa em relação ao ano anterior. Em 2024, trabalhadores com ensino superior completo lideravam as contratações qualificadas, com saldo positivo de 1.457 vagas. De acordo com o economista, a perda desse segmento em 2025 indica alteração na composição do mercado de trabalho local. O movimento sugere que empresas de maior valor agregado podem estar reduzindo suas operações na cidade, seja por relocação para outros municípios ou por enxugamento de quadros.

— O mercado de trabalho de Niterói está se tornando mais operacional e menos estratégico. Isso indica que empresas de tecnologia, consultoria e gestão podem estar reduzindo suas operações na cidade — afirma o economista.

O colapso do setor de serviços teve reflexos diretos sobre o emprego feminino. O saldo de vagas ocupadas por mulheres caiu de 4.120 em 2024 para 234 em 2025, redução de 94,3%. Das 1.880 vagas criadas no ano passado, apenas 234 foram ocupadas por trabalhadoras, enquanto os homens ficaram com 1.646 postos. Ao longo de 2025, 34.828 mulheres foram desligadas de postos formais na cidade, contra 40.550 homens.

A retração no segmento de serviços afeta particularmente as mulheres porque esse setor concentra historicamente grande parte das ocupações femininas, especialmente em áreas como educação, saúde, comércio especializado e serviços administrativos. A reversão do saldo em um setor que responde por quase dois terços dos empregos formais do município é preocupante, avalia Castro:

— A cidade está deixando de ser um espaço de oportunidades para o setor terciário qualificado .

Se por um lado os serviços perderam fôlego, por outro a construção civil assumiu protagonismo. O setor respondeu por 1.462 vagas em 2025 — cerca de 77% de todo o saldo anual — impulsionado principalmente por serviços especializados e obras de infraestrutura.

Expansão imobiliária

Esse desempenho acompanha o que a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) classifica como um cenário de forte recuperação e expansão do setor em 2025.

Dados da entidade apontam que os lançamentos imobiliários cresceram 73% entre janeiro e outubro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. As vendas também avançaram, com alta de 45% nos dez primeiros meses do ano.

A maior concentração de empreendimentos ocorreu nas regiões do Centro e Sul da cidade. O bairro de Icaraí respondeu por 19,2% dos lançamentos promovidos pela construtora Spin, seguido por Piratininga e São Francisco, ambos com 15,4%. O Centro liderou em número de novas unidades, somando 1.050 apartamentos. Na Zona Sul, Icaraí e São Francisco se destacaram, com 575 e 280 unidades, respectivamente. Outros bairros — como Itaipu, Santa Rosa, Itacoatiara, Fonseca, Charitas, Camboinhas e Jardim Icaraí— também receberam empreendimentos.

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