Genial/Quaest: Raquel Lyra alcança 62% de aprovação, mas fica oito pontos atrás de João Campos em intenções de voto
Os dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta terça-feira apontam um salto na aprovação da gestão de Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco. Em abril, 62% dos eleitores do estado afirmaram aprovar o governo dela, 11 pontos acima do registrado em agosto do ano passado (51%). Apesar disso, o novo levantamento corrobora o desafio da gestora de converter esse aval em votos e superar o ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, que aparece oito pontos à frente no cenário simulado de primeiro turno (42% a 34%) e num eventual segundo turno (46% a 38%).
'O voto nos estados': em Pernambuco, o choque entre a aprovação de Raquel Lyra e a força de João Campos
Por outro lado, o levantamento indica boas notícias a Raquel Lyra: de agosto de 2025 a abril deste ano, os eleitores que disseram desaprovar o seu governo recuaram dez pontos, de 45% a 35%. Outros 3% não souberam responder.
Além disso, no cenário atual, a maioria dos eleitores (57%) acha que Raquel Lyra merece se reeleger (em agosto, eram 43%). Aqueles que se opõe à reeleição dela eram maioria na sondagem anterior (54%), mas agora somam 36%. Desta vez, 7% não souberam/não responderam.
O instituto ainda questionou os eleitores se gostariam de uma mudança total na gestão pernambucana — 31% indicaram o desejo de que o "próximo governador" atue de forma a "mudar totalmente". Enquanto isso, 29% defenderam que deve "continuar o trabalho que vem sendo feito" e 36%, "mudar apenas o que não está bom".
A pesquisa mostra ainda que, de agosto passado para cá, o percentual de eleitores que tinham uma avaliação "negativa" do governo de Raquel Lyra caiu dez pontos, de 28% a 18%. A avaliação "regular" da gestão estadual avançou sete pontos, de 36% a 43%, e segue na dianteira, seguida pela avaliação "positiva", que foi de 32% a 36%.
Desafio de converter apoio em votos
Apesar do salto de aval à gestão Lyra, a pesquisa Genial/Quaest mostra o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) na liderança da corrida pelo governo de Pernambuco. O aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 42% das intenções de voto no cenário simulado de primeiro turno, enquanto a pré-candidata do PSD tem 34%. A diferença numérica entre os dois é de oito pontos percentuais, mas, considerando a margem de erro, fica entre dois e 14 pontos.
Nessa sondagem de abril, os deputados estaduais Eduardo Moura (Novo) e Ivan Moraes (PSOL) pontuaram 3% e 1% das intenções de voto, respectivamente. Já brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar são 9%, enquanto os indecisos marcam 11%.
Veja os números:
João Campos (PSB): 42%
Raquel Lyra (PSD): 34%
Eduardo Moura (Novo): 3%
Ivan Moraes (PSOL): 1%
Indecisos: 11%
Brancos e nulos: 9%
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais entre os dias 22 e 26 de abril. Foram ouvidos 900 eleitores de Pernambuco de 16 anos ou mais no estado. O levantamento está registrado sob o número PE-08904/2026, possui nível de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo o levantamento, para a maioria do eleitorado pernambucano (56%), a decisão de voto já é definitiva. Mas 41% afirmam que ainda podem mudar de ideia caso algo aconteça. Outros 3% não souberam ou não responderam.
Os dados mostram que seis em cada dez eleitores de João Campos (60%) e de Raquel Lyra (65%) já se dizem convictos do voto em outubro.
Na eleição espontânea, em que o entrevistado é instado a citar sua opção de voto sem ver antes de uma lista de candidatos, João Campos marca 26%, contra 21% de Raquel Lyra. Neste caso, os indecisos são 51%, e outros 2% indicam voto em branco, nulo ou a intenção de não votar.
Segundo turno
A Genial/Quaest também apontou João Campos na frente num eventual segundo turno, com 46% das intenções de voto, enquanto Raquel Lyra registra 38%.
Assim como no primeiro turno, a diferença entre eles no embate direto é de oito pontos percentuais. Os indecisos somam 8%, mesmo número daqueles que indicam voto em branco, nulo ou a intenção de não votar.
Apoio por segmento
A sondagem do cenário de primeiro turno mostra João Campos à frente de Raquel Lyra entre as mulheres (44% a 30%), cuja proporção de 14% se dizem indecisas. Entre os homens, porém, o ex-prefeito surge numericamente na dianteira, mas o cenário é de empate técnico (39 a 38%), e os dois disputam 9% de indecisos.
O aliado de Lula também lidera em todas as faixas etárias — tem 40% a 32% entre os mais jovens (16 a 34 anos); 44% a 38% entre os eleitores de 35 a 59 anos (empate no limite da margem de erro); e supera a adversária sobretudo entre os mais velhos, com 43% a 27% no eleitorado de 60 anos ou mais.
Raquel Lyra, por sua vez, aparece à frente de João Campos entre eleitores com Ensino Superior (47% a 32%). O ex-prefeito, porém, a supera entre aqueles com Ensino Fundamental (46% a 28%) e, numericamente, com Ensino Médio (41% a 35%).
Na segmentação por renda, o ex-prefeito e a governadora empatam no eleitorado que ganha mais de cinco salários mínimos (ambos com 39%). João Campos aparece à frente na faixa que recebe até dois salários, 46% a 32%, e lidera numericamente entre aqueles com dois a cinco salários, 38% a 35%.
Por religião, João Campos atrai mais católicos que Raquel Lyra, no cenário de momento, 42% a 36%. Entre os evangélicos, a vantagem atual dele é de 41% a 36%.
No detalhamento por posicionamento político, os dados da Genial/Quaest mostram que João Campos é a opção de 55% dos lulistas, 56% dos esquerdistas não lulistas, 32% dos independentes, 36% dos eleitores da direita não bolsonarista e 32% dos bolsonaristas.
Segundo a sondagem, Raquel Lyra vai melhor entre os bolsonaristas (52%) e eleitores da direita não bolsonarista (47%). Ela é opção de voto de 36% dos independentes, 21% dos esquerdistas não lulistas e 27% dos lulistas.
Força de Lula em Pernambuco
Sétimo estado mais populoso do país, com 9,5 milhões de pessoas, Pernambuco é a terra natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que de lá saiu ainda pequeno com a família rumo a São Paulo. O levantamento aponta a força do petista no estado.
Segundo a Genial/Quaest, 47% dos pernambucanos gostaria que o próximo governador fosse aliado do presidente Lula e 30%, que fosse independente. Apenas 17% citaram apoio a um gestor estadual alinhado a Bolsonaro, e 6% não souberam ou não responderam.
Pelo que sabem, 47% afirmaram na sondagem que João Campos será o candidato de Lula em outubro no estado e 12% citaram o vínculo de Raquel Lyra com o atual presidente. Outros 13% disseram que a governadora será a candidata do ex-presidente Jair Bolsonaro nas urnas.
Conhecimento e rejeição de candidatos
Os dados da Genial/Quaest apontam que João Campos é o candidato que os eleitores pernambucanos, em maior proporção, "conhecem e votariam": 58%. Outros 14% indicaram que não o conhecem, e 28% "conhecem e não votariam".
Em relação à atual governadora, 53% dizem conhecê-la e declaram que votariam nela. Enquanto isso, 37% a conhecem, mas não votariam e 10% sequer a conhecem.
Os demais candidatos têm o desafio de serem mais conhecidos pelo eleitorado: 72% não conhecem Eduardo Moura (Novo) e 86% desconhecem Ivan Moraes (PSOL).
A disputa eleitoral em Pernambuco
Herdeiro repaginado da cultura política iniciada pelo bisavô Miguel Arraes e seguida pelo pai, Eduardo Campos, ambos ex-governadores, João Campos deixou a prefeitura da capital no início de abril com uma aprovação elevada para chamar de sua. O plano é dar continuidade, na esfera estadual, à trajetória da família.
Se o trabalho à frente da cidade o faz contar com a força eleitoral dela e dos municípios do entorno, o sobrenome e o imaginário o ajudam a acessar as demais regiões. Outro ativo do jovem político de 32 anos são as redes sociais.
A fim de passar aos eleitores a mensagem de que o futuro pode ser melhor — apesar de não estarem majoritariamente insatisfeitos com o governo atual —, João promete um projeto que mistura “desenvolvimento com inovação, ousadia e justiça social”. Ciente de que tem como principal desafio conquistar o interior, João vem tecendo um discurso de “integração”, com a promessa de levar melhorias “para além da Região Metropolitana”.
É justamente no interior que Raquel Lyra, ex-prefeita de Caruaru, tem mais poder. O desafio da governadora é convencer os eleitores de que merece um segundo mandato. Ao longo do ano passado, Lyra fez movimentos para se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Trocou o PSDB pelo PSD e construiu pontes com o governo federal, além de reforçar laços com parcelas do PT local. A ideia era tentar viabilizar um palanque duplo. Ou seja, fazer com que Lula tivesse dois candidatos.
No mês passado, contudo, o PT formalizou o apoio a João Campos, que definiu sua chapa com o senador petista Humberto Costa e a ex-deputada Marília Arraes (PDT), sua prima e neta de Miguel Arraes, na corrida ao Senado. O vice de João será Carlos Costa, irmão do ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho, que chegou a confirmar a intenção de disputar a eleição majoritária, mas mudou de planos e anunciou pré-candidatura a deputado após "amplo diálogo" com Lula.
A tendência é que a governadora Raquel Lyra evite nacionalizar a campanha, dizem aliados, que também minimizam o apoio formal do PT a João afirmando que parte da base do partido está com a candidata à reeleição. Ela pretende propagar no período eleitoral entregas feitas na área de segurança e infraestrutura, além de saúde e educação.
Lyra, no entanto, não deixa de exaltar parcerias com Lula, como fez durante a filiação ao PSD de Túlio Gadêlha. Ao lado de Lyra, em Caruaru, o deputado federal lançou a pré-candidatura ao Senado pelo estado e citou alinhamento com o governo federal. Antigo aliado de João Campos, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho aparece bem posicionado e já declarou o apoio do União Brasil a Lyra.
Em janeiro, a disputa entre João Campos e Raquel Lyra se acirrou em meio ao monitoramento feito por policiais civis da rotina do então secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro. Revelado pela TV Record, o caso virou uma nova frente de embate entre o ex-prefeito, que denunciou "uso eleitoral" das forças de segurança para "perseguição", e a governadora, que defendeu a legalidade da ação após o recebimento de uma denúncia anônima sobre o suposto pagamento de propina sendo feito a um servidor público de Recife.
As demais candidaturas ao governo mal pontuam nas pesquisas. Parte disso se deve à desarticulação do PL, partido da família Bolsonaro, em terras pernambucanas. Até então a principal figura da sigla no estado, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado se desfiliou por insatisfações internas. A rejeição ao bolsonarismo é alta em Pernambuco.
