Genial/Quaest: aprovação do governo Castro no Rio cai 18 pontos e perde patamar alcançado com megaoperação
A avaliação do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) sofreu uma forte deterioração, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo instituto Genial/Quaest. O levantamento de abril de 2026 aponta que 35% dos entrevistados aprovam a gestão de Castro, enquanto 47% desaprovam, uma inversão significativa em relação ao cenário de outubro do ano passado, quando ele atingiu seu melhor momento de popularidade.
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A série histórica revela um movimento de alta ao longo de 2025, interrompido de forma abrupta neste início de ano. Em fevereiro de 2025, o então governador tinha 42% de aprovação e 48% de desaprovação. Em agosto, os índices eram de 43% e 41%, respectivamente. O ponto fora da curva veio em outubro, quando a aprovação saltou para 53%, superando a desaprovação (40%). Agora, em abril de 2026, o quadro se inverte: a desaprovação volta a liderar com folga, e o percentual de indecisos cresce para 18%.
O auge da popularidade de Castro coincidiu com a repercussão da megaoperação policial realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 mortos. À época, a ação foi apresentada pelo governo como um duro golpe contra o crime organizado e teve forte apoio de parcelas da população, apesar das críticas de organizações civis e de investigações abertas pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal sobre a alta letalidade.
A operação também desencadeou uma série de efeitos colaterais na cidade, incluindo retaliações do tráfico, bloqueios de vias e alterações em mais de 100 linhas de ônibus, o que colocou o Rio em estágio elevado de alerta. Ainda assim, o episódio consolidou, naquele momento, uma narrativa favorável ao então governador no campo da segurança pública, impulsionando sua avaliação positiva.
Esse capital político, no entanto, não se sustentou. A queda registrada agora ocorre após a renúncia de Castro ao cargo, em março deste ano, na véspera da retomada de seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso envolvendo o Ceperj. Ao deixar o Palácio Guanabara, o ex-governador afirmou que pretendia disputar uma vaga no Senado e classificou sua saída como o encerramento de um ciclo.
A pesquisa também questionou se o ex-governador merecer eleger um sucessor que indicar. Em fevereiro de 2025, 52% dos fluminenses achavam que ele não mereceria eleger um sucessor. O número caiu 57% em agosto do mesmo ano, e caiu para 53% em abril de 2026. Aqueles que consideravam que ele merecia indicar um sucessor eram 39% em fevereiro do ano passado, contra 34% em agosto, e agora, em abril, são 36%.
A renúncia de Castro abriu um período de instabilidade institucional no estado. Sem governador eleito ou vice na linha sucessória, o comando do Executivo foi assumido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, enquanto o modelo de escolha de um governador-tampão segue em disputa judicial.
No Legislativo, o cenário também é de tensão. A eleição do deputado Douglas Ruas (PL) para a presidência da Assembleia Legislativa, marcada por boicote da oposição e promessa de judicialização, reforçou o ambiente de incerteza política. Aliado de Castro e pré-candidato ao governo, Ruas desponta como uma das principais apostas do grupo político do ex-governador para a sucessão estadual.
O crescimento do número de eleitores que não souberam ou preferiram não opinar — de 7% em outubro para 18% agora — também indica um cenário de maior indefinição.
A nova pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob o número RJ-00613/2026, no dia 21 de abril de 2026. O Genial/Quaest fez entrevistas face a face com 1.200 pessoas de 16 anos ou mais, de 21 a 25 de abril. A margem de erro para a amostra geral é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%.
