GDA, Textor e fundo do Texas: veja valores e detalhes das três propostas de compra da SAF do Botafogo
Enquanto caminha para encerrar a relação com a Eagle Bidco de forma pacífica, a ala social do Botafogo trabalha, até o momento, com três interessados na compra da SAF do alvinegro. As propostas apresentadas foram de John Textor, ex-dono e controlador do alvinegro; GDA Luma, empresa especializada em "distressed assets" (ativos podres na tradução livre) considerava a favorita para vencer a disputa; e a MasterCom Capital, um fundo de investimentos com base no Texas, mas que possui escritórios em Miami, nos EUA, Genebra, na Suíça, Cascais, em Portugal, e em São Paulo.
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Diferentes nos valores que seriam aportados na SAF do Botafogo, as ofertas têm em comum a promessa dada pelos interessados de que conseguiriam manter, com longevidade, um projeto esportivo forte e sustentável. Ou seja, pelo menos nesse primeiro momento, nenhum dos possíveis compradores pensa numa revenda do alvinegro num curto prazo.
Veja valores e detalhes das três propostas para a compra da SAF do Botafogo:
GDA LUMA
O empresário Gabriel de Alba é o nome por trás da GDA Luma, uma empresa especializada em 'ativos podres'
Reprodução / Instagram
Considerada "mais robusta" e a favorita para conseguir a compra do Botafogo, a oferta da GDA é de US$ 105 milhões (aproximadamente R$ 531 milhões), além do pagamento de dívida através da Recuperação Judicial — o passivo total é de R$ 2,5 bilhões, mas o valor sujeito à RJ é de R$ 1,28 bilhão. A quantia envolve outras questões além de um aporte na SAF — que seria feito de forma parcelada —, como, por exemplo, o perdão de uma dívida de pelo menos US$ 25 milhões entre as partes após empréstimo adquirido quando John Textor ainda estava no comando do alvinegro. Sendo assim, o valor que seria, de fato, aportado no clube seria de US$ 80 milhões (R$ 405 milhões).
No caso da GDA, a ideia seria, num primeiro momento, investir não só no futebol, mas na estrutura e nas divisões de base. Interlocutores indicam nos bastidores que os moldes da proposta da GDA são semelhantes aos de Marcos Lamacchia no Vasco.
Liderada pelo mexicano Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente, a GDA Luma Capital Management é uma empresa especializada em "distressed assets" (ativos podres na tradução livre). O conceito se baseia na aquisição de ativos com problemas financeiros, mas com alto potencial, por valores abaixo do mercado, para posterior reestruturação. Uma das empresas que contaram com investimento da GDA foi o Cirque du Soleil.
Com sedes em Nova York e em Miami, nos Estados Unidos, a GDA possui experiência na reestruturação de empresas nos setores de mídia e entretenimento, telecomunicações, tecnologia, serviços bancários e financeiros, hotelaria e farmacêutico. Até o momento, a empresa não adentrou no ramo esportivo. O início da relação da empresa com o Botafogo se deu pelo empréstimo de US$ 25 milhões adquirido por John Textor em fevereiro deste ano. Recentemente, o pedido de recuperação judicial do alvinegro fez com que a dívida com a empresa saltasse para US$ 55 milhões.
John Textor
John Textor, ex-administrador da SAF do Botafogo
Vitor Silva/Botafogo
Ex-dono e administrador da SAF do Botafogo, John Textor oficializou, há uma semana, oferta ao clube social para recomprar o futebol do alvinegro. Os valores do negócio poderiam chegar a 95 milhões de dólares (aproximadamente R$ 480 milhões na cotação atual), com verbas oriundas de financiamentos, um hipotético acordo do empresário americano junto da Ares — a gestora é uma das principais responsáveis pela saída de Textor da Eagle Football Holdings Bidco, empresa que tem 90% das ações do time carioca, mas teve os direitos políticos suspensos pela Justiça do Rio de Janeiro — e um fundo de contingência.
Após receber a proposta do empresário americano, o clube social do Botafogo pediu que ele enviasse garantias dos fundos citados.
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Há, nos bastidores do Botafogo, clara preferência por outras propostas que não sejam a de John Textor. O empresário americano perdeu forças nos bastidores nos últimos meses e, ao que tudo indica, não deve voltar a participar da administração da SAF alvinegra.
MasterCom Capital (fundo do Texas)
A MasterCom Capital foi a terceira empresa a demonstrar interesse em comprar a SAF do Botafogo
Reprodução
Fundo de investimento com base no Texas e pelo menos quatro escritórios nos Estados Unidos, Brasil, Portugal e Suíça, a MasterCom Capital demonstrou interesse em comprar a SAF do Botafogo através de intermediação de um sócio-proprietário com boa entrada no clube social. Após reuniões presenciais com o presidente João Paulo Magalhães Lins, a empresa oficializou uma proposta de US$ 30 milhões (R$ 151 milhões).
Fontes ouvidas pelo GLOBO com relação entre diretores brasileiros da MasterCom Capital indicam que, além do valor oficializado na proposta, o fundo de investimentos estaria disposto a superar quaisquer ofertas que fossem realizadas para a compra da SAF do Botafogo, além de pensar em planos grandiosos para o futebol do alvinegro, como a construção de um estádio próprio e a montagem de um time competitivo para disputar os principais títulos do calendário sul-americano.
No entanto, fato é que a proposta colocada no contrato foi de R$ 151 milhões e há, entre o alto escalão do clube social, o entendimento de que esta seria uma empresa bem menos consolidada do que a GDA, que tem em Gabriel de Alba um nome que passa maior segurança por conta dos trabalhos realizados anteriormente.
