Gastos da Prefeitura do Rio com restauro de patrimônio vandalizado chegam a R$ 90 mil em 2026; secretário defende leis mais rígidas

 

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Os gastos da Prefeitura do Rio com vandalismo e furtos a monumentos públicos já somam R$ 90 mil em 2026. O valor corresponde à reposição de peças e serviços de limpeza e manutenção após ações de depredação registradas nos primeiros meses do ano.

De acordo com a Secretaria Municipal de Conservação, a previsão é que esse tipo de despesa chegue a R$ 320 mil até agosto. O impacto é significativo dentro do orçamento da Gerência de Monumentos e Chafarizes, que tem previsão de R$ 2,1 milhões para este ano.

Em 2025, dos R$ 1,8 milhão destinados à conservação, cerca de 30% foram consumidos por furtos e vandalismo, o equivalente a R$ 540 mil.

O secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, afirma que as leis contra esse tipo de crime preveem punições leves, o que dificulta o combate. Ele ressalta que os recursos gastos com reparos poderiam ser destinados à construção de novos monumentos.

"É um reflexo de leis muito brandas. Quando a gente, dentro do nosso circuito de monitoramento da Civitas, do Centro de Operações, reconhece o autor da infração, reconhece o criminoso e ele é encaminhado para as delegacias, para as forças policiais de investigação, muitas das vezes ele sai antes do que os nossos próprios agentes. Isso faz com que a gente clame para que a gente tenha leis federais mais rígidas para quem comete esse crime, para que o criminoso fique preso e pague por aquilo que ele cometeu e que a gente não desperdice dinheiro público, meu, seu ou nosso dinheiro, na reposição, na pintura desses chafarizes, desses monumentos, quando a gente poderia usar esse orçamento da cidade para a construção de novos monumentos."

Prefeitura do Rio de Janeiro remove escultura de Noel Rosa para restauração após monumento ser furtado

Pedro Bohnenberger / CBN

Somente neste ano, ao menos cinco monumentos já foram alvo de depredação. O caso mais recente envolve justamente a estátua de Cazuza, no Leblon. Os óculos de sol em bronze da escultura foram furtados mais uma vez. O monumento, inaugurado em 2016, já havia sido alvo do mesmo tipo de crime em 2021. Segundo moradores da região, o furto pode ter ocorrido durante um temporal, há cerca de um mês. Na ocasião anterior, a reposição da peça foi feita por Lucinha Araújo, mãe do artista. A Polícia Militar informou que não foi acionada desta vez.

Outro episódio que chamou atenção foi o furto de um dos braços da estátua do Curumim, na Lagoa Rodrigo de Freitas, em março. A ação impressiona pela complexidade: a escultura fica dentro da água, afastada da margem, o que indica que os criminosos precisaram nadar até o local para retirar a peça de bronze.

O restauro de peças históricas pode ser caro e minucioso. Um exemplo é a estátua de Noel Rosa, que está em processo de recuperação após ter sido alvo de furto e depredação no ano passado. O serviço foi orçado em R$ 65 mil e envolve a recomposição de partes danificadas, como elementos estruturais e adornos originais da obra. Casos como esse ajudam a explicar o alto custo do vandalismo para os cofres públicos, já que exigem mão de obra especializada e técnicas específicas para preservar as características originais dos monumentos.

Segundo a prefeitura, os maiores custos com vandalismo estão justamente na reposição de peças furtadas e na remoção de pichações. A Secretaria de Conservação informou que segue realizando vistorias e reparos nos monumentos atingidos.