O uso de cartões vinculados a criptoativos está ganhando espaço para além das operações pontuais de conversão e saque. Em julho de 2026, a categoria movimentou US$ 759 milhões globalmente, cerca de 2,5 vezes os US$ 306 milhões registrados no mesmo período de 2025, segundo levantamento da a16z crypto com dados da Paymentscan. Foram aproximadamente 9 milhões de compras no mês. Outro indicador da mudança no comportamento dos usuários é o aumento do ticket médio, que passou de US$ 59 para US$ 86 em um ano. O avanço sugere que esses cartões estão sendo incorporados a despesas recorrentes, aproximando a utilização dos criptoativos da rotina de pagamentos. Stablecoins têm participação relevante nesse movimento. De acordo com o levantamento, o USDC respondeu por aproximadamente 58% do volume registrado em julho, enquanto o USDT representou cerca de 26%. No Brasil, dados da operadora Oobit indicam um comportamento semelhante: 35% dos gastos realizados com cartões cripto são destinados a supermercados, e os usuários fazem, em média, 20 transações por mês. O cenário acompanha a expansão das stablecoins no mercado brasileiro. Dados da Receita Federal apontam que elas representaram aproximadamente 80% do volume declarado de criptoativos em 2025, com o USDT concentrando 88,7% das operações envolvendo esse tipo de ativo. Bipa lança quatro categorias de planos Diante do avanço no uso cotidiano, a Bipa, fintech brasileira especializada em Bitcoin, reformulou sua oferta de cartões e lançou quatro níveis de planos: Free, Plus, Pro e Max. Segundo a empresa, a utilização de seu cartão cresceu 110% em 2026. A nova estrutura busca atender perfis distintos, desde clientes que utilizam o serviço ocasionalmente até aqueles que concentram uma parcela maior das despesas mensais no cartão. "Ao lançar os planos, o objetivo é personalizar a experiência de acordo com o momento de cada cliente. O cartão deixou de ser usado de forma esporádica e virou meio de pagamento cotidiano. Quando o comportamento da base muda, a estrutura do produto precisa mudar junto", afirma Luiz Parreira, CEO e fundador da Bipa. O Free não possui mensalidade e disponibiliza cartão Mastercard Gold. O Plus custa R$ 14,90 mensais, também com Mastercard Gold, e oferece satsback de 0,5%. Já o Pro custa R$ 49,90 por mês, inclui Mastercard Platinum e satsback de 1%. No nível mais alto, o Max tem mensalidade de R$ 99,90, cartão Mastercard Black e satsback de 1,5%. Os planos podem ser alterados ou cancelados sem fidelidade. A mensalidade também pode ser parcial ou integralmente devolvida como crédito na fatura quando o usuário atinge determinados volumes de transações, conforme as regras de cada categoria. As condições dos planos podem ser consultadas em www.bipa.app. Cliente pode escolher a garantia utilizada no cartão Uma das características do produto é a possibilidade de definir qual ativo funcionará como garantia do cartão. O cliente pode optar por Bitcoin, stablecoin ou reais, além de combinar diferentes tipos de garantia. O limite disponível depende do ativo utilizado e da relação entre o valor depositado e o crédito liberado, conhecida como LTV, ou loan-to-value. No caso do Bitcoin, o LTV é de 50%. Assim, R$ 10 mil depositados em BTC correspondem a R$ 5 mil de limite. Para USDT, a proporção chega a 80%, fazendo com que os mesmos R$ 10 mil resultem em R$ 8 mil de limite. Em reais, o LTV é de 100%, permitindo que R$ 10 mil em garantia gerem R$ 10 mil de limite. A proposta é permitir que diferentes perfis utilizem o produto sem a necessidade de concentrar recursos em um único ativo. "Impor um único ativo como colateral impediria parte da base de usar o produto. Por isso, a escolha do colateral é do cliente, em qualquer plano", afirma Parreira. Satsback substitui modelo tradicional de pontos Nos planos pagos, parte das compras retorna ao cliente na forma de satsback. Em vez de pontos ou milhas, a recompensa é creditada em satoshis — menor unidade do Bitcoin. O saldo fica sob custódia do cliente na plataforma e não possui prazo de utilização. Também pode ser transferido para uma carteira própria, inclusive por meio da Lightning Network. A diferença em relação aos programas convencionais de fidelidade está na natureza da recompensa. Enquanto pontos geralmente têm regras próprias de validade e conversão, os satoshis correspondem a frações de um criptoativo negociado no mercado. Isso também representa um fator de risco: o Bitcoin é um ativo volátil. Dessa forma, o valor em reais das recompensas acumuladas pode subir ou cair de acordo com sua cotação, sem garantia de valorização ou manutenção do valor. A Bipa também oferece recompensa sobre determinados saldos em reais mantidos na plataforma. Dependendo do plano e da modalidade, a referência varia de 70% a 115% do CDI, com o benefício creditado em Bitcoin no saldo de satsback, conforme as regras do programa. Como o CDI é variável, resultados anteriores não representam garantia de recompensas futuras. Modelo exige atenção à oscilação das garantias O funcionamento de cartões colateralizados também traz particularidades em relação ao crédito tradicional. Como o limite está relacionado ao valor da garantia depositada, oscilações nos criptoativos podem alterar o crédito disponível. Se o ativo utilizado como garantia perder valor, o limite pode ser reduzido. Caso a desvalorização ultrapasse os gatilhos definidos pela plataforma, pode ocorrer liquidação parcial da garantia. Segundo a Bipa, o cliente é notificado previamente e pode reforçar o depósito antes de uma eventual venda dos ativos. Em caso de fatura não paga, a liquidação das garantias segue uma ordem definida pela plataforma: primeiro o saldo em reais, depois stablecoins e, por último, Bitcoin. Esse mecanismo torna importante compreender as condições antes da contratação, especialmente quando ativos sujeitos a oscilações expressivas são utilizados como garantia. A expansão dos cartões cripto ocorre em um momento em que o setor tenta transformar ativos digitais em instrumentos mais integrados à vida financeira cotidiana. O crescimento do volume transacionado, do ticket médio e da utilização em categorias como supermercados mostra que parte desse mercado já começa a se deslocar da lógica de investimento para a de pagamentos. Fundada em 2020 por Luiz Parreira, a Bipa atua como plataforma brasileira de acesso ao Bitcoin e foi pioneira na integração entre Pix e Lightning Network em uma conta digital, permitindo transações a partir de R$ 1. Em 2023, a fintech captou R$ 8 milhões em rodada seed com New Form Capital e Hivemind Ventures. No ano seguinte, recebeu aporte de R$ 18 milhões da Ego Death Capital.
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Gasto global com cartões cripto cresce 150%, e Bipa lança novos planos com benefícios e cartão Black Mastercard
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