O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), pediu na quinta-feira (6), ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que exames de DNA que atestariam a sua inocência em uma acusação de estupro sejam acelerados. O parlamentar informou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que colocou seu material genético à disposição para que o teste seja realizado. Leia mais Gaspar é alvo de um pedido de investigação da Polícia Federal (PF) para apurar a suspeitas de estupro de vulnerável. O caso veio à tona durante uma sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), quando o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou o colega de “estuprador”. “Tendo em vista o imenso desgaste reputacional que as infundadas acusações causam e o dano que as afirmações ilegais podem causar à lisura do processo democrático que se avizinha, requer-se seja determinada, em até 72 horas, a submissão do material já fornecido em juízo a exame comparativo de vínculo genético relativamente à criança mencionada”, disse no pedido encaminhado a Gilmar. Ao justificar a solicitação, a defesa do deputado afirmou que é necessário demonstrar que a acusação “criada por parlamentares opositores” é “falsa, descabida e acintosa”.
“Isso somente ocorrerá mediante a fixação de prazo certo para a conclusão do procedimento preliminar, com a subsequente e imediata promoção de arquivamento na hipótese de exclusão de vínculo genético e de ausência de qualquer outro elemento idôneo de corroboração à falsa hipótese acusatória”, prosseguiu. Gaspar é defendido por Maria Claudia Bucchianeri, que também atua como advogada de Flávio em ações que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A acusação refere-se a supostos acontecimentos que datariam de 2018. A PF viu a necessidade de apurar as suspeitas levantadas. A PGR solicitou diligências antes de se manifestar sobre a necessidade ou não de investigação sobre o deputado. Na quarta-feira (5), Gilmar autorizou o pedido.
Gaspar foi relator da CPMI do INSS. Sua atuação na comissão ficou marcada por uma confusão na entrega do relatório, que começou após Lindbergh chamar o deputado de “estuprador”. Ele fez referência ao suposto caso de estupro de vulnerável, que teria gerado uma gravidez. Gaspar negou. “Me chamou de estuprador? Eu estuprei corruptos como Vossa Excelência”, respondeu na ocasião.
A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) também fez a acusação. Na quarta-feira (5), a imputação voltou a ser lembrada por outros adversários, como o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos. Em nota enviada ao Valor, a defesa de Gaspar disse que o Brasil precisa “saber” quem é o deputado e que quer “o fim da dúvida” sobre a acusação de estupro de vulnerável. “Alfredo Gaspar já coletou em juízo, por perito técnico, com acompanhamento da Polícia, seu material de DNA, o que fez ainda em abril e por iniciativa própria. Acabou de pedir ao STF e à PGR que, em 72 horas, faça o exame comparativo de seu material genético com o DNA da suposta filha havida, ou que indique também em horas se deseja coletar esse material genético em qualquer outro laboratório”, disse. “A elucidação dos fatos é fácil, objetiva e urgente. Basta fazer o exame de compatibilidade genética”, concluiu.
Valor