Garrafas voaram pelo salão do restaurante Grado, seguido de agressões físicas e morais
Era o sábado da Shakira na Avenida Atlântica e beirava a meia-noite, o restaurante quase fechando. Apenas duas mesas estavam ocupadas no Grado, restaurante do chef Nello Garaventa e sua mulher, Lara Atamian, que não estavam no momento. Foi só na volta que, pasmos, ouviram relatos dos funcionários. E puderam acompanhar o passo-a-passo nas imagens registradas pelo sistema de segurança do restaurantes: estava tudo gravado. A mesa do músico Ed Motta, do 'restaurateur' Diogo Coutinho do Couto (Escama e Quinta da Henriqueta) e mais três pessoas, protagonizaram "cenas inacreditáveis", como disse Lara Garaventa. "Eu não podia acreditar no que eu via". Segue o relato do casal:
"Durante o atendimento no último sábado, um grupo de clientes composto por Eduardo Motta (Ed Motta), Diogo Coutinho do Couto (proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta) e um terceiro indivíduo, até o momento identificado como seu primo, protagonizou episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias dirigidas à nossa equipe e aos clientes presentes no local.
Após a negativa de concessão de cortesia da taxa de rolha, integrantes do grupo passaram a dirigir provocações constrangedoras à nossa equipe. As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada. Funcionários foram publicamente expostos ao ridículo, sem possibilidade de resposta.
Na sequência, uma cadeira foi arremessada contra um garçom que se encontrava de costas.
Um esbarrão provocado por Ed Motta em uma cliente de outra mesa derrubou objetos, fazendo com que a situação escalasse e as agressões passassem a atingir também esses clientes. Um deles, que estava sentado, recebeu um soco e, ao se dirigir à saída, teve uma garrafa de vinho, tamanho magnum, intencionalmente arremessada contra sua cabeça, causando sangramento imediato.
A postura firme e profissional de nossa equipe, que tentou conter as agressões utilizando o próprio corpo como escudo, foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves.
Os agressores deixaram o estabelecimento antes da chegada da polícia, acompanhados por um indivíduo associado ao Sr. Diogo Coutinho do Couto, que dirigiu ameaças aos presentes e insinuou estar armado.
Os episódios causaram danos físicos, emocionais e materiais relevantes. Vidas foram colocadas em risco e, por consequência, a própria continuidade do restaurante.
Ainda estamos nos recuperando dos acontecimentos e buscando minimizar seus impactos negativos. Refletimos profundamente antes de tornar os fatos públicos, mas entendemos que o constrangimento e os danos decorrentes desses episódios não nos pertencem, e sim aos agressores. Decidimos não adotar o silêncio por receio reputacional. Nossa obrigação é proteger nossa casa, nossa equipe e nossos clientes, a quem devemos todo o sucesso de um restaurante construído com muito trabalho ao longo de quase uma década
Estamos prestando integral suporte jurídico e assistencial aos funcionários afetados, buscando a responsabilização dos envolvidos e a reparação dos danos causados
Permanecemos à disposição das autoridades competentes e das demais partes envolvidas para colaborar integralmente com os esclarecimentos necessário"
