Galípolo relata à PF reuniões tensas e 'com palavrões' com servidores do BC suspeitos de favorecer o Master

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em depoimento à Polícia Federal que chegou a ter reuniões tensas e "com palavrões" com os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, investigados por suspeita de atuar para favorecer o Banco Master dentro da autarquia.

Segundo o presidente do BC, houve uma "demora injustificada" na fiscalização da instituição financeira e os dois servidores resistiram a lhe passar informações sobre o Master. A informação foi revelada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Galípolo foi ouvido como testemunha por videochamada na manhã de terça-feira (6). Ele ainda afirmou que foi contra a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) por entender que a operação poderia gerar um rombo no banco distrital - o que acabou ocorrendo mesmo sem a concretização da operação.

Em seu relato, o presidente do BC disse que chegou a realizar reuniões "com clima de tensão" e "palavrões" com o então chefe de supervisão bancária, Belline Santana, e do seu adjunto, Paulo Sérgio Neves Souza. O objetivo do encontro era cobrar um relatório com indícios de fraudes no Master para encaminhar ao Ministério Público Federal (MPF), que não havia sido encaminhado a ele.

Neste cenário, Galípolo relatou à PF que precisou criar um outro grupo com auditores sem os dois servidores para realizar o trabalho, pois a fiscalização estava “demorando injustificadamente”. A venda do Master ao BRB acabou sendo vetada pelo BC em setembro de 2025 e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado em novembro do mesmo ano, logo após a prisão do então banqueiro pela Polícia Federal.

A PF quis ouvir Galípolo após o nome dele ser citado no depoimento de Souza à PF. O servidor - agora afastado, assim como Belline - acusou o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, de "omissão" e citou o nome de Galípolo, como revelou o Valor.

Segundo Souza, o BC, em setembro de 2024, havia decidido fazer um trabalho de análise das carteiras do Banco Master, mas como o então futuro presidente da autoridade monetária, Galípolo, estava em processo de sabatina no Congresso Nacional naquele momento, Aquino teria dito ao então servidor para “jogar parado”.

“Assim que o Gabriel Galípolo virar presidente, a gente vai resolver o problema do banco Master”, teria dito Aquino a Souza, segundo o depoimento. Àquela época, o ponto de preocupação era o nível de provisionamento do portfólio.

Souza também contou ter defendido que Aquino deveria comunicar suas descobertas ao Ministério Público. Segundo ele, no fim de julho de 2025, Galípolo afirmou que não faria comunicação ao MP por gestão temerária, porque a informação interna que havia recebido era de fraude na carteira.

O presidente do BC, porém, relatou que a situação foi o inverso do que disse Souza, e que foi Ailton quem descobriu as inconsistências nas carteiras do Master e que Souza, quando era questionado, costumava afirmar a ele que a documentação apresentada pelo Master era suficiente para explicar a situação das operações financeiras da instituição.

As investigações da PF identificaram que Souza e Belline teriam atuado como "consultores informais" de Vorcaro, auxiliando-o junto a demandas envolvendo o BC, e que também teriam recebido dinheiro mesmo com a atribuição de fiscalizar o Master. As defesas de ambos nega as acusações.

Procurados, os advogados de Belline e Souza não se manifestaram. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo Ton Molina/Bloomberg

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