O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira que o órgão só vai intervir no mercado de câmbio se identificar disfuncionalidade. A declaração foi feita em entrevista entrevista sobre o Relatório de Estabilidade Financeira, em Brasília, um dia depois de o dólar disparar mais de 8% e a Bolsa cair quase 14% na reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Quando a gente vir, a gente vai atuar, a gente atua só em casos de disfuncionalidade — afirmou. Na segunda-feira, primeiro pregão após o segundo turno, o dólar à vista fechou a R$ 5,40, em alta de 8,21%, depois de chegar a R$ 5,60 pela manhã.
O Ibovespa recuou 13,88%, aos 176.608 pontos. Foi a maior queda desde março de 2020, e a B3 precisou acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende os negócios quando o índice cai mais de 10%.
As taxas de juros futuros também dispararam. Os investidores vinham apostando na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e desmontaram posições com o resultado.
Nesta terça-feira, o BC fez apenas o leilão regular de rolagem de swap cambial, de até US$ 4 bilhões, que já estava no calendário. O swap é um derivativo que funciona como uma venda de dólar no mercado futuro, e a operação apenas renova contratos que vencem em 3 de novembro.
Não se trata de uma intervenção extraordinária. Galípolo também comentou a coordenação entre a Fazenda e o BC citada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, para normalizar o mercado depois da eleição.
Segundo o presidente do BC, trata-se apenas da operacionalização dos leilões de títulos do Tesouro Nacional, que são executados pelo Banco Central. Na segunda-feira, em entrevista ao GLOBO, Durigan havia dito que conversava desde cedo com o BC e com o Tesouro.
Afirmou também que a autoridade monetária avaliava, junto com a Fazenda, uma atuação no câmbio, para evitar que a intervenção no mercado de títulos pesasse de forma desproporcional sobre o dólar. Galípolo ainda negou que esteja sendo cotado para assumir o Ministério da Fazenda no novo mandato de Lula e sinalizou que fica no cargo atual até o fim do seu mandato, em dezembro de 2028.
Seu nome aparece nos bastidores entre os cotados para comandar a equipe econômica, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Antes de chegar ao BC, Galípolo foi secretário-executivo da Fazenda no primeiro semestre de 2023, como número 2 do então ministro Fernando Haddad.
— Não existe estar sendo cotado, nada disso relativo à Fazenda. Para economista, não existe emprego mais legal do que eu estou, adoro o meu emprego, apesar dos desafios.
Não tem nada mais legal do que poder estar no Banco Central do Brasil. Meu mandato vai até o final de 2028.
Estou muito contente aqui, estou muito feliz aqui — disse, quando questionado se avaliaria deixar o BC caso fosse convidado para comandar a Fazenda.
O Globo