Galípolo diz que 101 milhões de pessoas têm cartão de crédito no país, responsável por boa parte do endividamento
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que 101 milhões de pessoas utilizam cartão de crédito no Brasil, modalidade que concentra grande parte do endividamento no país. Além disso, segundo dados do BC de janeiro, o percentual da inadimplência do cartão de crédito rotativo é de 63,5%.
Os dados mostram também que a taxa de juros do crédito rotativo do cartão alcançou 424,5% ao ano em janeiro, sendo a mais elevada do mercado financeiro. Em 12 meses até janeiro, o estoque dessa modalidade cresceu 31%, chegando a R$ 84,8 bilhões, representando o maior avanço entre as linhas de crédito livre para pessoas físicas.
Galípolo avaliou que muitos consumidores têm recorrido a linhas emergenciais de forma recorrente, como se fossem parte da renda, o que exige uma discussão estrutural. Segundo ele, uma eventual "limitação de preço" — ou seja, da taxa de juros — pode limitar a oferta de crédito.
O presidente do BC destacou ainda que a ideia é tentar desenvolver alternativas mais sustentáveis, com linhas de crédito mais adequadas ao perfil dos consumidores.
Ele também apontou quatro choques recentes que pressionaram a inflação e impactaram o orçamento das famílias: a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, as tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e o conflito no Oriente Médio. Mesmo com juros elevados, esses fatores contribuíram para a alta dos preços.
Nesse contexto, houve impacto na renda ,o trabalhador, levando muitos a recorrer ao crédito para complementar o orçamento. “Cresceu o número de cartões de crédito”, observou.
Galípolo defendeu o uso responsável do crédito e recomendou que os consumidores priorizem linhas mais compatíveis com sua renda, evitando o uso do rotativo, que possui taxas mais elevadas.
Inadimplência cresce 38% em uma década, diz Serasa
Levantamento da Serasa mostra que o número de brasileiros com contas em atraso (não relacionadas apenas a cartões) cresceu 38,1% em dez anos — de 2016 a 2026. Em fevereiro deste ano, a quantidade de pessoas em situação de inadimplência no país chegou a 81,7 milhões. O estudo mostra ainda que cerca de quatro em cada dez brasileiros (42%) que estão inadimplentes hoje já tinham o nome negativado há uma década.
De acordo com dados de fevereiro, são mais de 332 milhões de dívidas em aberto, volume 43% superior ao registrado em 2016. Como consequência, a dívida média por consumidor avançou 12,2%, passando de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13 no período, considerando valores corrigidos pela inflação.
Entre os principais motivos para a inadimplência, as contas em atraso relacionadas a bancos e financeiras são a principal razão, com crescimento no percentual em dez anos. Confira a distribuição da inadimplência dos brasileiros em 2016 e em 2026:
Como está distribuída a inadimplência dos brasileiros
