Galã 'onipresente' na TV e no cinema, Thomás Aquino não descarta se casar novamente: 'Encontrando um grande amor, por que não?'

 

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Consolidado no cinema com mais de dez filmes no currículo, como “Praia do Futuro” (2014), “Bacurau” (2019) e, mais recentemente, “O agente secreto” (2025), o pernambucano Thomás Aquino vem ganhando corpo nas novelas e séries da TV Globo. Sua onipresença nas telas é tanta que o ator de 39 anos, agora no ar em “Coração acelerado”, virou até meme nas redes sociais, como se trabalhasse na escala “365/0”: sem folgas. No ano passado, Thomás esteve, simultaneamente, no remake de “Vale tudo”, interpretando o jornalista Mario Sergio, e em “Guerreiros do Sol”, que, após estrondoso sucesso no Globoplay, será lançada na TV aberta no dia 22. “Algumas produções são feitas anos antes de serem lançadas, de repente, junta tudo”, ri, durante entrevista de uma hora por chamada de vídeo. “Mas fico feliz em trabalhar cada vez mais. Minha carreira está numa crescente, e tenho muito a mostrar.”

Tantos holofotes, principalmente durante as cenas quentes no horário nobre ao lado de Debora Bloch em “Vale tudo”, também deram outro título à Thomás na web: a de galã do momento. Fora dos padrões eurocêntricos, o pernambucano faz graça com a alcunha, e sente-se realizado por “furar” bolhas”. “Fico feliz em ser visto dessa forma. Espero que abra portas para quem se reconhece com minhas feições. E ser galã me leva para um outro patamar profissional”, acredita. Solteiro após o fim de um casamento de quatro anos, o ator diz que repetiria a experiência. “Encontrando um grande amor, por que não?”

Thomás Aquino: 'Minha carreira está numa crescente, e tenho muito a mostrar'

Ana Branco

Para viver o empresário sem escrúpulos Roney Soares na atual trama das 19h, Thomás mergulhou nos bastidores do sertanejo. Fez pesquisas de campo, conversou com alguns empresários da área e leu matérias baseadas em histórias verídicas. “Alguns deles realmente querem sugar a alma dos artistas”, diz. Para o papel na história, que se passa em Goiânia, pediu às autoras Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento que não modificassem seu sotaque. “Desde criança, vejo o acento nordestino sendo representado de forma estereotipada ou xenofóbica”, explica. “Farei o máximo que puder para chegarmos a um cenário igualitário nesse sentido.” E seu objetivo é mesmo continuar exaltando as narrativas nordestinas. Em “Guerreiros do Sol”, Thomás foi bastante elogiado ao dar vida ao cangaceiro Josué, no enredo inspirado no casal Maria Bonita e Lampião, ressaltando também a importância do protagonismo feminino. “Foi importantíssimo ver como o autor transformou as mulheres no cangaço, colocando-as em posições de poder. Essa é a nossa batalha: construir personagens nordestinos fortes.” Isadora Cruz, seu par romântico na história, diz que o ator carrega a força da região. “Ele tem uma verdade e uma entrega que atravessam a tela e o palco, além de sensibilidade e inteligência cênica raras.”

Um dos últimos motivos para Thomás comemorar foram as indicações do filme “O agente secreto” em quatro categorias do Oscar. Sua participação no longa do diretor Kleber Mendonça Filho como o médico pediatra Vanderlei foi curta e intensa. Por estar envolvido em outro projeto na época das filmagens, finalizou todas as cenas em apenas duas diárias. “Mas precisava fazer esse filme. Fiquei emocionado. É necessário falar sobre a ditadura, porque temos um problema de memória no Brasil”, acredita o ator. Para ele, dar palco às nossas dores é o remédio para a cura, até mesmo em temas tão traumáticos. “Colocar para fora o que mais dói é uma forma de tentar curar a população. Os homens, por exemplo, não falam sobre seus problemas. Quanto mais converso com meu analista, mais consigo me compreender na sociedade”, diz. A parceria entre Thomás e Kleber se repete após sete anos, quando ambos trabalharam juntos no premiado filme “Bacurau”. “Thomás é um ‘bicho da câmera’, muito leve e divertido. Pega uma situação dramática em cena e traz intensidade. Tenho muita vontade de continuar trabalhando com ele”, elogia o diretor.

Thomás Aquino

Ana Branco

Nascido em Setúbal, bairro de classe média do Recife, Thomás estudou Jornalismo, mas o teatro acabou roubando seu coração. “Quando meus pais perceberam que não era um hobbie, mas uma profissão, me apoiaram”, relembra. Quase 20 anos depois, mira uma carreira internacional no futuro. Em 2024, gravou a série “Homem em chamas”, da Netflix americana, inspirada no filme “Chamas da vingança” (2004), com Denzel Washington, em que interpreta em português e inglês. “Meu papel é o do Ministro da Defesa no Brasil, mas muito por uma ótica americana. Ele é mais um vilão”, revela, sobre a obra, que estreia no dia 30 de abril. E deve vir muito mais por aí. “Espero ter saúde para, quem sabe, fazer um filme francês, argentino ou chileno”, finaliza.