Gabriela Duarte cita afastamento da mãe em busca por autonomia: 'Me recuso ser a mesma pessoa'

 

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A atriz Gabriela Duarte detalhou uma decisão importante que tomou na carreira, há pouco menos de três décadas, depois de protagonizar a novela "Por amor" (1997) ao lado da mãe, a também atriz Regina Duarte. Contrariando pessoas próximas, inclusive a própria família, ela preferiu recusar trabalhos que a associassem à figura materna. Após o sucesso da novela de Manoel Carlos — em que ambas interpretavam mãe e filha —, as duas receberam propostas semelhantes para atuarem juntas novamente. Gabriela, porém, não via sentido em bater sempre na mesma tecla.

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Em entrevista ao podcast "Menotalks", Gabriela disse que se incomodava com o fato de a dupla mãe e filha "ter colado demais". "Eu não gosto disso. Não gostava mais da ideia de que éramos uma dupla inseparável. E aí as pessoas depois não conseguiriam mais me ver sem estar colada à minha mãe. E ela já tinha a trajetória dela: já tinha feito um caminho enorme, maravilhoso, incrível. E eu, não! E isso começou a me incomodar real, de verdade. Comecei a falar: 'Não quero'."

À época, a atriz, hoje com 52 anos, ouviu colegas a repreenderem. Muitos questionavam se ela não tinha "medo" de que sua carreira acabasse. "E eu falava: 'Não, eu não tenho medo'. E dizia: 'Agora eu vou descascar essa cebola até ver o que tem lá dentro, lá embaixo'. Sou ariana com ascendente em escorpião... E aí eu amarguei. Não foi fácil. E eu pensava: 'É, realmente, está acontecendo aquilo que me disseram que talvez acontecesse. E eu tive medo".

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Gabriela ressalta que tentou, até onde pôde, não ter uma conversa sobre o tema com a mãe, que se sentia bem ao lado da filha no ambiente de trabalho. "Imagina a quantidade de cumplicidade que você tem com aquela pessoa. É muito bom", relembra Gabriela. "Mas virou um lugar confortável. E, para mim, começou a ficar muito ruim".

A atriz conta que começou a se sentir confusa depois de protagonizar a minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999), na esteira do sucesso de "Por amor". Na produção sobre a musicista abolicionista, ela e a mãe interpretavam a mesma personagem em diferentes fases. Em seguida, como ela revelou, apareceu a possibilidade de as atrizes novamente estrelarem uma novela como mãe e filha, sendo que esta última seria uma vilã. O trabalho, no entanto, não foi para frente.

Regina Duarte e Gabriela Duarte

Reprodução

Na sequência, ainda em 1999, as duas dividiram o palco na peça "Honra", com texto da australiana Joanna Murray-Smith. A montagem deu certo — permaneceu três anos em cartaz. Nos anos seguintes, vieram, então, novos convites para trabalhos com as duas juntas na TV. Foi, então, que Gabriela chamou a mãe para conversar e dizer que queria se descolar dela. "E ela não gostou", repassa a atriz.

"Minha mãe é a pessoa que me deu a vida. Mas eu sempre sabia que eu tinha o direito de não querer ser a mesma pessoa. Eu não sou a mesma pessoa que ela. Eu me recuso a ser a mesma pessoa que ela", desabafou Gabriela. "As minhas ideias vêm disso, a minha forma de me colocar politicamente, algo que eu não exponho tanto assim, a forma como eu olho para os meus filhos...", continuou ela.

Gabriela reconhece que, até hoje, é cobrada pelas questões da mãe. "E vou ser sempre cobrada. E aí você se pergunta: 'Mas adiantou tudo isso de ter cortado o cordão umbilical?'. Para mim, adiantou, sim! Isso é o mais importante. Foi um ciclo que se fechou. Jamais passou pela minha cabeça negar e renegar. Mas não me sinto mais obrigada a compartilhar das mesmas ideias e andar juntinhas, como se fôssemos uma duplinha dinâmica e inseparável."