A forma como empresas familiares planejam a continuidade dos negócios mobiliza lideranças em Ribeirão Preto. Segundo o levantamento Global Family Business Report 2026, realizado pela consultoria KPMG com 1.927 dirigentes de 41 países, a parcela de companhias administradas diretamente pela família fundadora no Brasil tende a recuar de 48% para 8% até 2035.
Receba notícias do acidade on Ribeirão no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui! A projeção aponta para a profissionalização dos processos, mantendo os proprietários nas decisões de rumo.
O tema foi debatido em encontro realizado pelo WTC Ribeirão Preto Business Club na última quinta-feira (29). Representantes de duas empresas com presença na cidade, o Grupo Rodonaves e a Eurobike, relataram as práticas adotadas para estruturar a sucessão e manter as atividades no mercado.
Planejamento nas empresas No Grupo Rodonaves, a organização da estrutura interna começou em 2017, avançou em 2020 e incluiu a chegada do CEO Régis Tiecher em 2024.
A vice-presidente da companhia, Vera Naves, explicou que a profissionalização não exclui a família do negócio, mas define o papel dos donos nas escolhas gerais e abre espaço para quem toca o cotidiano da operação. “O erro mais comum nessa transição é achar que ninguém vai te substituir”, afirma.
Vera também comparou a transição ao momento de ver um filho seguir o próprio caminho, um processo difícil, mas necessário, segundo ela. “A profissionalização não afasta a família do negócio.
Ela define como contribuir estrategicamente, preservar os valores e garantir espaço para a gestão executiva”, pontua. Experiência fora antes da entrada de herdeiros
Na Eurobike, o presidente Henry Visconde estabeleceu que os filhos atuassem em outras empresas antes de trabalhar na companhia da família. As vagas preenchidas por eles depois seguiram a área de estudo e a bagagem prática obtida fora da rede.
De acordo com o dirigente, a continuidade da marca depende de pessoas preparadas para conduzir os trabalhos, critério que deve prevalecer sobre o parentesco. “A empresa deve se perpetuar além do fundador.
A gente precisava crescer, mas também ter pessoas preparadas e engajadas para levar o negócio adiante”, afirma Henry. Segundo o executivo, preservar a cultura organizacional não significa impedir mudanças, mas garantir que o crescimento seja conduzido por profissionais alinhados aos princípios da companhia.
Demanda do empresariado Para Rodolfo Guimarães, CEO do WTC Ribeirão Preto Business Club, a discussão acompanha uma demanda do empresariado regional.
“Muitos negócios já têm 40 ou 50 anos de história e estão organizando essa passagem de bastão para seus sucessores. Por isso, falar de governança e sucessão familiar gera tanto engajamento”, completa.
Rodolfo Guimarães, CEO do WTC Ribeirão Preto Business Club, Vera Naves, vice-presidente do Grupo Rodonaves, e Henry Visconde, presidente da Eurobike (Foto: Vitorio Pagliuso) Rodolfo Guimarães, CEO do WTC Ribeirão Preto Business Club, Vera Naves, vice-presidente do Grupo Rodonaves, e Henry Visconde, presidente da Eurobike (Foto: Vitorio Pagliuso)
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