Um "campeonato" diferente está sendo realizado em ruas de Londres (Inglaterra). Inspiradas no futebol e na Premier League, torneio que reúne alguns dos clubes mais poderosos do mundo, quadrilhas no sul da capital inglesa estão disputando uma "competição" na qual se marca pontos de acordo com a gravidade dos crimes cometidos. Nesta espiral de violência, até um brasileiro acabou morto. As gangues comparam seus crimes brutais por meio de uma tabela semelhante à da Premier League, na qual acumulam pontos por homicídios, esfaqueamentos e outros crimes. Um assassinato vale três pontos, enquanto um esfaqueamento não fatal rende um ponto. Com ajuda das redes sociais, a classificação é constantemente atualizada. Alguns grupos criminosos cresceram ao som do rap e são inspirados pelas gangues que aterrorizaram Los Angeles (EUA) nos anos 1970. No bairro de Brixton, por exemplo, quem dá as cartas é a 67. Numa área vizinha, quem lidera é o Lower Tulse Hill, grupo conhecido pelo alto grau de violência. Já na região de Elephant and Castle, gangues de inspiração sul-americana e no Caribe disputam o controle do mercado de drogas. As mais imponentes são a Latin Kings, de alinhamento colombiano, e Los Trinitarios, de influência dominicana. Todas elas estão na disputa pelos pontos na "liga", que não confere taça, mas alavanca a reputação entre os rivais, favorecendo também os negócios ilícitos. "As quadrilhas têm um sistema de pontuação que se baseia na gravidade do que elas fazem. Elas usam termos do futebol, como 'fizemos três (gols)', 'um a zero' ou 'três a dois'", contou ao "Metro" Faisal El Issaoui, detetive da Polícia Metropolitana especializado no combate a gangues. Membro de gangue preso em operação da polícia de Londres Reprodução/Met Police Não é raro o surgimento de memoriais improvisados em ruas da região em homenagem às vítimas desse "campeonato" macabro. As mortes pontuadas não são apenas de membros de grupos criminosos. Moradores da região sem ligação com gangues, chamados por elas de "civis", também entram na mira dos "jogadores". "Isso mostra até onde essas gangues vão para superar umas as outras. E pessoas acabam sendo mortas no meio disso. Incluindo, às vezes, pessoas comuns, a quem eles chamam de civis. Eles estão destruindo comunidades", declarou um outro policial. Agentes da Polícia Metropolitana de Londres AFP Brasileiro morto Em outubro de 2022, um brasileiro foi vítima da violência de gangues no sul de Londres. O entregador Guilherme Messias da Silva, que tinha 21 anos e era natural de Goiás, estava no último pedido da noite quando foi morto durante uma perseguição em Brixton. Guilherme, que planejava retornar ao Brasil em dezembro, segundo amigos, estava no caminho de um grupo que perseguia o rapper Perm (nome artístico de Lamar Scott). O artista, de 27 anos, tentou escapar a pé, mas acabou morrendo baleado, conforme noticiou o "Daily Mail". O entregador brasileiro Guilherme Messias da Silva (à direita) e o rapper Perm: vítimas da violência no sul de Londres Reprodução A violência só cresceu desde então. Na condição de "árbitro", a polícia atuou com rigor durante uma operação que durou dez dias em agosto. Mais de 400 pessoas receberam o "cartão vermelho" e acabaram atrás das grades. O "torneio", entretanto, continuou mesmo com os "desfalques".
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Futebol inspira disputa entre gangues em Londres: ações mais violentas marcam mais pontos na 'tabela de classificação'
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