Futebol argentino vai entrar em greve neste fim de semana em apoio ao presidente da AFA

 

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O futebol argentino vai parar de quinta-feira até domingo em apoio ao presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Claudio Chiqui Tapia, investigado por corrupção. A decisão da greve geral foi mantida pelos clubes no início desta semana. O dirigente e o tesoureiro da entidade, Pablo Toviggino, vão prestar depoimento à Justiça nos próximos dias. A AFA afirma que se trata de perseguição política por parte do presidente Javier Milei, com quem Tapia não mantém boas relações.

Apesar da reação negativa dos torcedores argentinos, a entidade, com apoio dos clubes, confirmou a suspensão das partidas da nona rodada do Torneio Abertura (os jogos serão remarcados para maio).

— É uma nova confirmação de respaldo. Vivemos uma situação complexa. Porém, acreditamos que cada dirigente soube responder aos ataques — disse o vice-presidente da AFA, Javier Treuque, ao site Doble Amarilla.

Apesar da decisão por consenso, apenas alguns clubes apoiaram Tapia publicamente por meio de comunicados e mensagens nas redes sociais. Os jogadores do San Lorenzo, por exemplo, foram a campo no último jogo com uma camisa com os dizeres: "Chega de nos perseguir".

O embate entre os dirigentes do futebol argentino e o governo Milei começou pela falta de acordo a respeito da transformação dos clubes em Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), que continuam proibidas. Desde 2023, o presidente tenta passar a nova lei, mas não tem apoio dos clubes. Em 2024, o embate endureceu quando os benefícios fiscais que as associações recebem.

Na semana passada, o Ministério da Justiça da Argentina nomeou interventores na AFA para averiguar supostas irregularidades administrativas. A entidade considerou a ação ilegítima e anunciou que iria recorrer à Justiça para anular a medida.

Tapia e outros dirigentes da AFA são acusados de suposta apropriação indevida de tributos no valor de mais de 19 bilhões de pesos (cerca de 13 milhões de dólares ou quase R$ 70 milhões).