O Furacão Isaías tocou o solo do Panhandle da Flórida — noroeste do estado — no fim da noite desta sexta (9) e avança rapidamente pelo sul do território americano, informou o Centro Nacional de Furacões dos EUA (National Hurricante Center ou NHC) na madrugada deste sábado (10). Apesar de estar perdendo força e temperatura após chegar ao continente, ele segue apresentando "risco à vida", salientaram os meteorologistas em seu último relatório, às 3h da manhã (horário de Brasília).
O Isaías chegou ao seu pico de força na sexta durante o dia, ainda sobre o oceano, quando era um furacão de categoria 3, com ventos entre 178 km/h a 208 km/h segundo a escala de Saffir-Simpson, que mede a força deste tipo de tempestade.
Imagem de satélite mostra o Isaías se aproximando da Flórida ainda como furacão de categoria 3 no fim da manhã de sexta (9) HANDOUT/CIRA/Colorado State University/NOAA/AFP Na chegada à Flórida, ele foi rebaixado à categoria 2 — e já é oficialmente chamado de ciclone pós-tropical como o Furacão Kay, de 2022, por mudanças em suas características como localização, temperatura e sentido dos ventos.
No entanto, ele ainda detém potencial de destruição, com ventos máximos sustentados de 100 km/h — e jatos mais intensos. Na chegada a Dustin, na Flórida, seus ventos sustentados foram registrados em torno de 165 km/h, com jatos de até 187 km/h próximos a Santa Rosa Sound. Pouco mais de 445 mil pessoas já estão sem energia elétrica devido aos estragos promovidos pelo Isaías, segundo o site PowerOutage.Us, que monitora a situação no país. Outros 306 mil estão no escuro no Alabama e quase 47 mil na Geórgia, levando a um total de quase 800 mil afetados pelo furacão (ou ciclone, dependendo do estágio do encontro). Americano isolando um comércio com sacos de areia em preparação para a passagem do Furacão Isaías em Pensacola, na Flórida, na noite de sexta (9) JOE RAEDLE/AFP O alerta de maré de tempestade da região a oeste de Santa Rosa já foi suspenso, assim como o alerta para furacão da divisa entre Alabama e Flórida, mas porque o Isaías agora ameaça o restante do Alabama, avançando pelo vale do Rio Tennessee.
As marés podem subir perigosamente — de 60 cm a 1,2 m de altura nas águas — ainda em Santa Rosa e da linha de seu condado de Okaloosa até o rio Suwannee, na Flórida. Há riscos associados a tempestades tropicais (como é o caso dos furacões) no lado leste do Alabama e na divisa da Flórida até o rio Aucilla. Durante o fim de semana, o Isaías deve produzir 100 a 200 mm de chuva no sul do Alabama, na região do Panhandle da Flórida e no sudoeste da Geórgia. Especialmente a região em torno do Big Bend, também na Flórida, pode ver até 380 mm de chuva. Evacuações obrigatórias foram impostas em estradas e até penitenciárias no sul da Flórida, atingido pelo Furacão Isaías nesta sexta (9) RONALDO SCHEMIDT/AFP As fortes chuvas, de até 127 mm, devem atingir todo o restante do sudeste americano, como a costa das Carolinas do Norte do Sul, e o sul dos Apalaches. Todos os estados desta região, o que inclui ainda o Mississippi, podem também ser afetados por inundações relâmpago — que representam um grande risco à população. O Panhandle e o norte do estado, além do sul da Geórgia e das Carolinas, ainda estão sob risco de tornados durante a próxima noite. Moradores do sul da Flórida foram fotografados pela AFP tentando proteger casas e comércios com tapumes e sacos de areia na tarde desta sexta. Os governadores do Mississippi, Alabama e Flórida declararam estados de emergência nas últimas horas. A Guarda Nacional da Flórida enviou 5.000 soldados para auxiliar na resposta à tempestade, segundo a Associated Press. Algumas prisões também evacuaram detentos, enquanto a maioria dos voos foram cancelados em aeroportos da região. O furacão Isaías já deixou um rastro de destruição na Flórida e em outros estados do sul americano, com quase 800 mil pessoas sem energia JOE RAEDLE/AFP Já a Guarda Estadual colocou 400 soldados na avaliação de danos e liberação de estradas, entre outras funções. Outros 10 hidroaviões, botes, quadriciclos motorizados foram deixados à disposição pelas autoridades ambientais para atender a necessidades em caso de enchente.
O Globo