A liquidação extrajudicial da Trustee DTVM e da Banvox DTVM pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (3) deve ter impacto limitado para investidores em geral.
Como Trustee e Banvox já apareceram nas investigações da Operação Carbono Oculto, no fim de agosto de 2025, e Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e controlador das instituições, foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Compliance Zero, já havia um processo de esvaziamento dos fundos.
Juntas, as instituições tinham R$ 86,7 bilhões na administração de fundos em julho de 2025, e de lá pra cá houve uma diminuição de quase 65%.
A Trustee reunia R$ 66,9 bilhões em julho do ano passado, cifra que caiu a R$ 23,2 bilhões, ao fim de julho de 2026.
A Banvox, por sua vez, totalizava R$ 19,8 bilhões um ano atrás, em comparação aos R$ 7,5 bilhões do recorte mais recente.
Os dados são da Anbima, que representa as entidades dos mercados financeiros e de capitais.
A intervenção do BC não se compara àquela feita no conglomerado Master, que era um banco múltiplo, tomava dívida e tinha distribuição de certificados de depósitos bancários para o público de varejo via plataformas, segundo Luiz Felipe Terra Favieri, sócio-diretor da LAD Capital, responsável por risco e compliance.
“São empresas que prestam serviços financeiros ao próprio mercado, o impacto é um pouco menor para a pessoa física”, afirma.
Como a personalidade jurídica dos fundos não se confunde com a dos prestadores de serviços essenciais, a transferência das carteiras para outras instituições é, em tese, relativamente simples, diz Favieri, já que os cotistas são os donos dos ativos.
Poderiam escolher outro administrador por meio de assembleia.
Mas no regime especial, até que o liquidante tome pé da situação, pode haver alguma morosidade.
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