Fundo de gestor que previu derrota de Lula cai 45,9% no ano

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O Vista Multiestratégia, fundo principal da gestora Vista Capital, acumula queda de 45,9% em 2026 até outubro e levou a casa a reduzir o risco da carteira a um nível próximo de zero. A decisão foi comunicada a cotistas em carta nesta quarta-feira, 4 de novembro, segundo o InfoMoney.

O desempenho contrasta com o CDI, taxa de referência da renda fixa, que rendeu 11,7% no mesmo período. Só em outubro, o fundo recuou 15,4%.

Os outros veículos da casa também estão no vermelho, com o Vista Macro Absoluto perdendo 33,6% no ano e o Vista Hedge, 20,8%. Desde o lançamento, em janeiro de 2015, o Multiestratégia só havia fechado um ano negativo, em 2024.

Um fundo multimercado pode apostar ao mesmo tempo em juros, câmbio, ações e commodities, e o resultado depende do acerto do cenário desenhado pela gestora. Para o cotista, a queda acumulada significa perder quase metade do capital em dez meses.

O primeiro pregão depois das urnas A carta chega pouco mais de uma semana depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

No primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa caiu 13,88% e acionou o freio automático da bolsa, que interrompe os negócios quando a queda passa de 10%, pela primeira vez desde 2020. O tombo atingiu em cheio a indústria de fundos, sobretudo os fundos de ações e os multimercados montados para a alternância de governo.

A Vista estava entre as casas que transformaram a eleição em posição de carteira. A aposta que a abstenção não entregou

O sócio-fundador da Vista, João Landau, subiu ao palco da Expert XP, feira de investimentos da corretora XP, em julho, para dizer que “apesar das dificuldades do momento, o Lula está para perder essa eleição”. A casa montou posições para lucrar com a troca de governo.

A própria carta reconhece o erro de leitura. A gestora esperava que a abstenção prejudicasse a esquerda, como indicava a série histórica de eleições, mas o comparecimento cresceu de forma relevante no segundo turno.

As proteções montadas para o caso de erro também falharam. A Petrobras, em que a Vista estava vendida, subiu quase em linha com o petróleo, e as posições em câmbio e em opções de Ibovespa abertas entre os turnos não cumpriram seu papel.

Estar vendido significa apostar na queda do papel, e a alta da Petrobras contrariou essa aposta. A gestora sustenta que as perdas eleitorais ficaram dentro do risco esperado para a carteira e não foram o principal evento do ano.

“O problema é que essas perdas se somam às anteriores, tornando o resultado acumulado inaceitável para nós”, diz a carta. 2026 contra todas as posições

A Argentina caiu perto de 40% no ano e as ações usadas como substitutas de títulos públicos tiveram perdas relevantes. As posições em urânio ficaram no negativo mesmo com a alta das commodities, enquanto a Petrobras acumula valorização de 80%.

A casa reconhece que, mesmo com o patrimônio dos sócios aplicado no fundo e o respeito às regras de risco, todas as principais posições estão no vermelho. “E não há gestão de risco que compense esse erro”, afirma a carta, que trata o resultado como inédito em 12 anos de história.

O prejuízo não nasceu com a eleição. A leitura política se somou a um ano em que nenhuma das grandes teses da casa funcionou.

A Vista não mudou o diagnóstico de cenário. A casa segue otimista com o governo de Javier Milei e sustenta que os riscos da Petrobras são subestimados pelo mercado.

No Brasil, a gestora admite ter errado ao trocar títulos do Tesouro indexados à inflação por ações sensíveis a juros na tentativa de capturar a queda dos juros reais. “No Brasil, os juros reais terão de cair, por bem ou por mal”, afirma.

Sem disposição do governo para restabelecer a confiança na trajetória da dívida pública, a casa vê surgir discussões sobre caminhos heterodoxos para essa redução, com efeitos sobre o câmbio. A Vista não trata a ruptura como iminente e avalia que um ajuste fiscal modesto e um ministro com credibilidade junto ao mercado podem bastar, por ora.

O dilema deve ficar mais duro com o enfraquecimento da atividade em 2027, segundo a própria gestora. A carta promete usar os próximos meses para rever as teses e o modelo de gestão.

A fatura de 45,9% e o freio automático do primeiro pregão depois do segundo turno mostram que a conta da aposta contra o resultado das urnas não ficou restrita à Vista.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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