Fundo americano vai comprar até 10% das ações da Natura e fundadores deixam Conselho de Administração

 

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A Natura anunciou que um fundo americano gerido pela Advent International, investidor global de private equity, vai comprar entre 8% e 10% de participação acionária da empresa, mediante aquisição de ações em circulação no mercado. O negócio será fechado em até seis meses e o valor a ser pago por uma ação da Natura será de R$ 9,75. A companhia brasileira anunciou ainda um novo acordo de acionistas com a saída do Conselho de Administração do trio de fundadores: Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos.

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De acordo com fato relevante divulgado ao mercado, o fundo da Advent terá participação minoritária, mas poderá indicar dois membros para compor o Conselho de Administração. Também vai participar de diferentes comitês da empresa, trazendo expertise para a estratégia do negócio e "plano de criação de valor da companhia". No final da manhã desta terça, as ações da Natura subiam quase 9% sendo negociadas a R$ 10,07.

Analistas do banco BTG Pactual avaliaram em relatório que a entrada de um investidor financeiro "agrega credibilidade e pode servir como catalisador para a reprecificação das ações". Os analistas lembram que esse investimento ocorre após um período de elevada volatilidade no case da companhia e em meio a um processo de reestruturação ainda em curso.

Novo Conselho Consultivo

A empresa informou que a saída dos fundadores do Conselho de Administração foi um processo planejado de transição. Eles vão migrar para um Conselho Consultivo que não tem atribuições deliberativas. Neste novo órgão, os três seguirão com a função de "preservar os valores, a cultura e a forma de fazer negócios que sempre distinguiram a Natura".

Além disso, Fábio Barbosa deixa a posição de chairman (presidente do Conselho de Administração), após concluir a reorganização da estrutura de capital e a simplificação corporativa na Natura. Ele integrará o Conselho Consultivo ao lado dos fundadores.

Com o novo acordo de acionistas, a Natura busca a retomada do crescimento, depois de um período marcado por uma expansão agressiva para se tornar uma companhia global, a companhia contabilizou prejuízos bilionários e iniciou um processo profundo de reestruturação para focar no mercado latino-americano. Nos últimos dois anos, a empresa passou por uma "volta às origens", vendendo ativos internacionais da Avon para reduzir dívidas e simplificar a operação. Hoje, a Natura é líder em beleza e cuidados pessoais na América Latina.

A Natura anunciou um novo acordo de acionistas entre seus fundadores e demais sócios,  pelo prazo de dez anos, mantendo as participações inalteradas. Um novo Conselho de Administração deverá ser aprovado na Assembleia Geral Ordinária, renovando a governança, buscando inovação e apoiando o novo ciclo de negócios.

Serão cinco novos membros no Conselho: Pedro Villares, Guilherme Passos e Luiz Guerra, além de Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. O Conselho de Administração continuará a contar com a participação de Duda Kertesz e João Paulo Ferreira, CEO da Natura, que conhece bem o setor e o modelo de negócios da empresa.

Também saem do Conselho Bruno Rocha e Gilberto Mifano, que vai permanecer como líder do Comitê de Auditoria e Finanças.

"Fechamos este capítulo com uma companhia mais ágil, leve e fortalecida, e damos início a uma transição natural, que foi planejada ao longo de meses. Seguirei ao lado dos fundadores apoiando uma nova geração de conselheiros e líderes. Juntos, vamos impulsionar um ciclo de crescimento e inovação, sempre de mãos dadas com os valores que fazem da Natura uma empresa única” disse Fábio Barbosa, no comunicado.