Travis Kalanick, cofundador e ex-CEO da Uber, está voltando a uma das apostas que marcaram sua passagem pela empresa: os veículos autônomos. Sua nova companhia, a Atoms, prepara contratações e aquisições para ampliar a atuação no setor e já discutiu com a própria Uber formas de usar sua tecnologia de robotáxis. Os planos foram revelados pelo Financial Times neste domingo (6). Segundo o jornal, a Atoms trabalha para se tornar uma participante relevante no mercado de veículos autônomos, embora os robotáxis sejam apenas uma parte de uma estratégia mais ampla de automação industrial. A aproximação com a Uber ocorre nove anos depois de Kalanick deixar o comando da empresa, em 2017. Em julho, a companhia de transporte por aplicativo também participou de uma rodada de US$ 1,7 bilhão na Atoms e investiu US$ 100 milhões, segundo informação confirmada pelo TechCrunch. A rodada foi liderada pela Andreessen Horowitz. No anúncio do investimento, o próprio Kalanick chamou a nova fase de “unfinished business”, ou “negócio inacabado”, e disse que a Atoms pretende concluir uma trajetória iniciada na Uber e continuada na CloudKitchens. Velhos nomes da Uber voltam à cena A investida reúne executivos e engenheiros ligados à primeira tentativa da Uber de desenvolver veículos autônomos. A Atoms incorporou a Pronto, empresa de sistemas autônomos para mineração comandada por Anthony Levandowski, que havia liderado projetos de direção autônoma na Uber e no Google. Gautam Gupta, ex-chefe financeiro da Uber sob Kalanick, também assumiu o cargo de CFO da Atoms. No site da companhia, a Atoms se apresenta como uma empresa de automação física voltada a mineração, transporte e alimentos. Sua divisão de mineração já opera sistemas autônomos para caminhões em minas e pedreiras, enquanto a área de transporte aparece como uma das frentes para novos sistemas robóticos. O movimento coloca Kalanick novamente em um mercado que mudou profundamente desde sua saída da Uber. Waymo, da Alphabet, e Zoox, da Amazon, já operam ou ampliam serviços comerciais de robotáxis nos Estados Unidos, enquanto a Tesla também tenta ganhar espaço no setor. A própria Uber abandonou o desenvolvimento interno de veículos autônomos em 2020 e passou a apostar em parcerias. Atualmente, trabalha com diferentes fabricantes e empresas de direção autônoma para oferecer viagens sem motorista em sua plataforma. Atoms quer ir além dos robotáxis Kalanick tem apresentado a Atoms como uma companhia de “IA industrial”, dedicada a automatizar atividades no mundo físico. Além de transporte e mineração, a empresa mantém operações ligadas ao setor de alimentos, herança da CloudKitchens, negócio de cozinhas para delivery criado pelo empresário após sua saída da Uber. A companhia afirma que desenvolve sistemas que combinam robótica, sensores, software, fabricação e inteligência artificial para executar tarefas específicas em escala. Em vez de concentrar sua estratégia em robôs humanoides de uso geral, a Atoms aposta em máquinas desenhadas para operações industriais. Segundo o Financial Times, as conversas com a Uber sobre robotáxis ainda não resultaram em um acordo anunciado. A Atoms também não afirma que pretende fazer dos veículos autônomos seu único negócio. Mais Lidas
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Fundador da Uber volta aos robotáxis e pode vender tecnologia à empresa que criou
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