Fundador da Reag fica em silêncio na CPI do Crime Organizado e recebe reprimenda de relator: 'Master é um escândalo'
Convocado pela CPI do Crime Organizado do Senado para prestar esclarecimentos sobre operações financeiras investigadas no caso do Banco Master, o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos, compareceu à comissão nesta quarta-feira, mas optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.
A decisão já havia sido antecipada pela defesa do empresário. Mansur obteve autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para não responder a perguntas que pudessem levá-lo à autoincriminação, o que, na prática, levou seus advogados a orientá-lo a não responder a nenhum dos questionamentos feitos pelos senadores.
Diante da informação de que o empresário não responderia às perguntas, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, afirmou que apresentaria alguns dos pontos que pretendia abordar e criticou a postura adotada pela defesa.
— Não vamos ficar aqui ensaiando um teatro de perguntas. O Master é um escândalo (...) e, da minha parte, encerro a minha participação — disse o parlamentar.
Além de Vieira, outros integrantes da comissão tentaram convencer Mansur a falar. Foi o caso do senador Sergio Moro (União-PR):
— É isso mesmo? O senhor não tem nenhuma explicação para dar sobre os fundos e lavagem de dinheiro? Saímos dessa comissão com a impressão de que a Reag era um lugar próprio para isso. O senhor tem todo direito de ficar em silêncio, mas nós gostaríamos de lhe dar o benefício da dúvida.
O empresário respondeu que, com todo respeito ao senador, exerceria seu direito constitucional.
Em contrapartida, o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, ressaltou que a CPI deveria respeitar o direito do depoente.
— É necessário respeitar a decisão da pessoa que está sendo investigada — afirmou.
Em outro momento, Contarato voltou a dizer que gostaria de ouvir respostas às acusações e apelou aos filhos do empresário, que tem três. Esta foi a única pergunta que Mansur respondeu: a de quantos filhos ele tem.
— Qual a imagem que você está transmitindo aos seus filhos? — questionou Contarato. — Se fosse eu, diria que fui fundador da Reag, que tínhamos essa operação e que nunca tivemos relação com o PCC, e assim por diante. Volto a insistir: o senhor não quer falar desses fatos? No que consistia a Reag, qual era o modus operandi?
Mansur é citado em investigações sobre operações financeiras consideradas atípicas envolvendo fundos administrados pela Reag Investimentos e transações que teriam sido viabilizadas por empréstimos do Banco Master. O empresário foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao banco.
Mesmo sem responder às perguntas, a presença do empresário era considerada relevante por integrantes da CPI, que buscam esclarecer o papel de gestores de fundos e operadores do mercado financeiro nas transações sob investigação.
