Fundação Roberto Marinho lança cursos gratuitos focados em IA; veja como acessar

 

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Com o objetivo de democratizar o uso de tecnologia para os brasileiros, a Co.liga, escola digital da Fundação Roberto Marinho (FRM), lança hoje, em parceria com o Instituto Motiva e a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), dois cursos digitais e gratuitos em Inteligência Artificial Generativa. A iniciativa é aberta a qualquer pessoa interessada e busca ampliar o acesso ao letramento digital no país.

Segundo a Co.liga, os novos cursos aumentam a oferta da escola digital nas áreas de cultura, tecnologia e economia criativa. A formação complementar, que atende tanto profissionais da área quanto o público geral, propõe explorar a experimentação de ferramentas de IA em etapas como concepção, estruturação e execução de projetos criativos.

Os cursos, que oferecem certificação e já estão disponíveis no site coliga.digital, preparam os cidadãos para utilizar a IA de forma estratégica, ética e consciente, segundo as organizações. Para acessá-los, é preciso realizar o cadastro na plataforma.

Presidente do Instituto Motiva, Renata Ruggiero explica que as aulas reforçam a visão da instituição sobre o potencial da inteligência artificial para a melhoria da qualidade de vida. A iniciativa é uma das medidas da companhia voltadas para letramento digital, em linha com o plano de investir R$ 1 bilhão em inovação até 2035 na indústria 5.0.

— As soluções em inteligência artificial têm grande potencial para ampliar o acesso a novas oportunidades e reduzir desigualdades sociais e territoriais. Essas ferramentas valorizam a capacidade da criatividade humana — afirma a presidente, que também pondera que o uso cada vez maior da tecnologia aumenta a necessidade de haver “espírito crítico” para utilizá-las.

Supervisora de inclusão produtiva da Fundação Roberto Marinho, Alzira Silva explica que os cursos são complementares, dialogam entre si e “aprofundam diferentes dimensões do fazer criativo com tecnologia”. Cada uma das formações tem carga horária de cinco horas.

— A vertical de Inteligência Artificial da Co.liga nasce para ampliar repertórios, ferramentas e contextos de uso da IA generativa na criação de projetos criativos. Isso combina experimentação prática com pensamento crítico e autoria — afirma.

O primeiro curso é denominado “Experimentações Criativas com IA Generativa”. O intuito é apresentar as possibilidades e limites da IA generativa na criação, de modo que o estudante possa testar diferentes ferramentas, além de refletir sobre uso ético, autoria e acessibilidade da tecnologia.

Já a segunda trilha, “Criando um Projeto Criativo com IA Generativa”, é uma formação mais específica para profissionais da área criativa, e apresenta formas de utilização da IA para o desenvolvimento de um projeto criativo completo. A proposta é mostrar como a IA pode ser usada a fim de mapear e organizar etapas, além de buscar referências, estruturar ideias e testar caminhos, sem abrir mão do aspecto autoral.

A especialista em inovação estratégica e transformação digital Giselle Santos foi a responsável pela consultoria que resultou no desenvolvimento dos cursos. De acordo com ela, embora a inteligência artificial produza desafios, ela também traz ganhos importantes.

— A IA pode tornar as obras mais acessíveis, reduzindo custos de infraestrutura e facilitando recursos como legendagem e audiodescrição. O próprio processo de criação pode ficar mais ágil, escalável e eficiente, inclusive na curadoria. Além disso, a IA permite maior rastreabilidade dos trabalhos, com o uso de tecnologias como o blockchain, que ajudam a registrar e acompanhar a autoria — diz.

Investimento interno

Internamente, a Motiva criou o Comitê de Inovação, Digital e Inteligência Artificial, que, em 2025, aprovou um aporte de R$ 13 milhões no desenvolvimento de projetos de IA em áreas como engenharia, inteligência de mercado e suprimentos. Em 2024, a empresa já havia lançado a “Jornada em Inteligência Artificial Generativa”, que conta com apoio técnico e educacional da Microsoft, para incorporar a tecnologia nas suas operações de rodovias, trens, metrôs, VLTs e aeroportos.

O objetivo das implementações foi promover o letramento digital em IA Generativa para colaboradores nas áreas corporativas e operacionais. Para a diretora de Pessoas da Motiva, Graziella Maso, incorporar essa ferramenta no dia a dia exige uma formação que ressalte a importância humana por trás de sua utilização.

— A inteligência artificial aglutina, mas não pensa. Muito se fala nela substituir as pessoas, mas, na verdade, o objetivo é torná-las mais potentes — explica.

A Co.liga, cuja mantenedora é o Instituto Motiva, conta com mais de 100 mil pessoas cadastradas e oferece 59 cursos em áreas como moda, gastronomia, música, design e multimídia. No campo da tecnologia, há iniciativas voltadas para portfólios tech, podcasts, redes sociais e streaming.

Já o Instituto Motiva, entidade sem fins lucrativos, é o braço de investimento social da Motiva, empresa de infraestrutura de mobilidade que comanda 12 concessionárias responsáveis pela gestão e manutenção de 4.475 quilômetros de rodovias. O instituto já alcançou, desde 2014, mais de 22 milhões de pessoas.