Com treinamento, as áreas fazem pedidos mais claros e entendem melhor as informações que precisam, diz Paulo Ruza, do Carrefour Divulgação Empresas não se tornam orientadas por dados apenas porque compraram tecnologia, criaram áreas de “analytics” ou melhoraram a qualidade de suas bases. O fator decisivo continua sendo a capacidade das pessoas de compreender, interpretar e utilizar essas informações no cotidiano, afirma o americano Jordan Morrow, vice-presidente sênior de transformação de dados e IA da AgileOne. “Essa alfabetização é importante para capacitar as pessoas não apenas a olhar para painéis e ver o que aconteceu, mas a descobrir o porquê e dar vida aos dados”, diz. Em um mundo que produz cerca de 400 milhões de terabytes de dados por dia, segundo o site Exploding Topics, compreender e aplicar essas informações tornou-se essencial. Relatório do site DataCamp com líderes dos EUA e Reino Unido mostra que 40% apontam a perda de produtividade como principal consequência da baixa alfabetização em dados. A TIM iniciou essa jornada há quatro anos. “Temos três trilhas. A Expert prepara durante seis meses cientistas, engenheiros e arquitetos de dados; a Consumer atende quem utiliza dados nas decisões cotidianas; e a Translator forma profissionais capazes de traduzir necessidades das áreas de negócio para os times técnicos”, diz Maria Antonietta Russo, VP de pessoas, cultura e organização da TIM. Segundo ela, o programa já alcançou 96% dos colaboradores. “Quando as pessoas compreendem melhor os dados, conseguem transformar problemas em hipóteses, hipóteses em análises e análises em decisões mais conectadas aos objetivos da companhia.” No Banco Carrefour, o projeto começou na instituição financeira e depois foi expandido para o restante do grupo. “Foi um programa do zero, explicando o que é dado e sua importância na tomada de decisão. Depois gravamos esse treinamento em módulos e o disponibilizamos para os 120 mil colaboradores”, afirma Paulo Ruza, superintendente de dados e IA. Segundo ele, as áreas passaram a formular pedidos mais claros e compreender melhor quais informações de fato precisavam. A alfabetização também despertou novos interesses. “Uma colaboradora da comunicação achava que nem precisava. Fez o treinamento, gostou, buscou outros cursos e, um ano depois, veio trabalhar com a gente na área de dados”, diz Ruza. O Grupo Boticário também vem acelerando sua cultura de dados. “Decidimos investir na alfabetização para garantir que os mais de 20 mil colaboradores pudessem usar a informação de forma ética, eficiente e estratégica”, afirma Renato Pedigoni, CTO da companhia. Considerada a segunda empresa mais admirada em dados da América Latina pela pesquisa “State of Data Brazil 2025-2026”, da Data Hackers e Bain & Company, a empresa aposta em uma jornada que começa com plataformas de análise e SQL (linguagem universal usada para conversar com bancos de dados). “Hoje, com agentes de IA, um colaborador consegue realizar análises altamente complexas sem necessariamente escrever código”, diz Pedigoni. Para Henrique Portella, fundador da DataSchool, especializada em alfabetização de dados, o objetivo não é transformar todos os funcionários em analistas ou programadores, mas criar uma linguagem comum. “Não é usar Excel, pois isso é letramento digital. Estamos falando de entender gráficos de dispersão, correlação, a diferença entre mediana e média e como contar uma história com dados”, afirma. Segundo ele, investir milhões em plataformas de “business intelligence” (BI), IA e “analytics” ou contratar cientistas de dados não basta se poucos conseguem usar essas análises. Marcos Sirelli, vice-presidente de tecnologia, dados e atendimento do Grupo Porto, afirma que a empresa estruturou sua trilha de dados primeiro em nível inicial e intermediário, em que o foco é saber ler e interpretar o negócio através de dados. “Tivemos um colaborador, por exemplo, que desenvolveu uma ferramenta que reúne milhares de pesquisas de Net Promoter Score [NPS], que é uma métrica padrão global para medir a lealdade e a satisfação dos clientes, para indicar automaticamente onde as jornadas precisam ser melhoradas e quais mudanças têm maior potencial de impacto na experiência do consumidor.”
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Funcionários precisam de ‘alfabetização’ em dados
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