Centenas de funcionários do ueno bank e de outras empresas do Grupo Vázquez, controlador da instituição fechada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) há dois dias, protestaram diante do Ministério do Trabalho, exigindo indenizações trabalhistas e salários atrasados, enquanto seus empregos permaneciam incertos.
Também nesta quinta-feira, o presidente paraguaio, Santiago Peña, renunciou em meio à crise desencadeada pela quebra do banco digital. Como a crise começou?
A Superintendência de Bancos do Paraguai identificou que haviam sido ultrapassados os limites de crédito concedido pelo ueno ao grupo econômico composto pelo Grupo Hendy, Grupo M e Mowi. Para evitar possíveis sanções, em 15 de junho, o ueno teria simulado a venda à vista dessa carteira de crédito inadimplente, avaliada em US$ 74,4 milhões, ao Vinanzas S.A., segundo o jornal paraguaio Hoy.
A Vinanzas S.A. e o ueno bank pertencem ao mesmo conglomerado empresarial, o Grupo Vázquez.
O jornal paraguaio Hoy afirma que a legislação do país proíbe que uma instituição financeira financie, direta ou indiretamente, a aquisição de ativos por uma empresa a ela vinculada. Além disso, as investigações apontam que a Vinanzas não teriam recursos financeiros suficientes para realizar a compra da carteira de crédito.
Assim, para conseguir realizar o esquema, o ueno teria executado uma operação paralela de captação de recursos, por meio de empréstimos concedidos a outras empresas, que transferiram os valores à Vinanzas. Também houve operações envolvendo a compra e a venda de títulos e a participação de outras companhias ligadas ao Grupo Vázquez.
A operação teria sido realizada de forma fragmentada para dificultar a fiscalização das autoridades monetárias. Quem já foi preso?
A investigação levou à prisão dos oito integrantes da diretoria do ueno bank que tiveram a detenção decretada pelo Ministério Público: Juan Manuel Gustale Cardoni, presidente do banco digital; Federico Miguel Vázquez Villasant, presidente do Grupo Vázquez e principal acionista do conglomerado; Diana Leticia Mongelós González, executiva do ueno; Julio Daniel Rey Fernández, ex-diretor do ueno; Diego Fernando Duarte Schussmuller, diretor do ueno; Alejandro Gómez Abente, diretor ueno; Mariana Isabel Torres Rubiani, ex-diretora do ueno; e Miguel Ángel Almada Frutos, vinculado à administração do ueno.
Entre os oitos executivos, seis tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Rubiani e Gonzales receberam prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico.
Além dos oito diretores, o Ministério Público também apresentou acusações contra outras pessoas ligadas à instituição e ao grupo empresarial. A investigação alcança 26 pessoas, segundo o jornal paraguaio ABC Color.
Relação entre o governo e o ueno O presidente do Paraguai, Santiago Peña, defendeu o ueno em diferentes oportunidades, chegando a atribuir no mês passado as críticas a uma campanha difamatória, que estaria provocando temor entre a população.
Até março de 2025, Peña mantinha uma participação acionária no Grupo Vázquez e, sob seu governo, o ueno recebeu grandes volumes de recursos públicos. Até outubro, a instituição informava ter aproximadamente US$ 800 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) e de entidades ligadas às usinas hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacyretá.
Peña também nomeou Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, antecessora do Ueno Bank, para comandar o Banco Central, responsável pela supervisão de todo o setor bancário. Carvallo renunciou na terça-feira, a pedido do próprio presidente, após o anúncio da resolução do Ueno Bank.
O economista Raúl Vera Bogado foi nomeado como novo presidente do Banco Central paraguaio. Peña também nomeou Pedro Acosta e Edsel González para completar a diretoria de cinco membros do Banco Central.
As três indicações precisam ser ratificadas pelo Senado.
Valor