Funcionário de restaurante acusa Ed Motta de preconceito: ‘Vou embora antes que faça alguma coisa com um desses paraíbas’
“Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas.” A frase é atribuída ao cantor e compositor Ed Motta em depoimentos prestados à Polícia Civil por funcionários do restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. O artista é investigado por injúria por preconceito após uma confusão ocorrida na madrugada do último dia 2, depois de um desentendimento sobre a cobrança de taxa de rolha. O crime prevê pena de um a três anos de reclusão.
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Segundo o barman da casa, que teria sido alvo prefencial das ofensas, Ed Motta começou a insultá-lo após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante, de acordo com o depoimento:
“Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”, teria dito o cantor. Em seguida, ainda conforme o relato, ele colocou uma taça de vinho sobre o balcão e afirmou: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”. Ao deixar o local, teria acrescentado: “Cambada de paraíba” e, virando-se novamente para o funcionário: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.
O registro de ocorrência foi feito na 15ª DP (Gávea) e enquadra o caso como injúria por preconceito, prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de injúria comum.
Vídeo mostra como foi a briga envolvendo Ed Motta em restaurante no Rio
Em depoimento, o proprietário do restaurante afirmou que Ed Motta já havia se referido anteriormente ao mesmo funcionário como “paraíba filho da put*” em um áudio enviado no ano passado. O material foi entregue à polícia. O empresário também relatou que o barman já havia mencionado episódios anteriores de provocações “em tons homofóbicos” quando o cantor se reunia com amigos em uma mesa próxima ao bar do estabelecimento.
Ainda segundo o dono, após a confusão, o artista enviou novos áudios ao dono do restaurante. Em um deles, de acordo com o depoimento, o cantor afirma: “Aquele garçom que eu já havia reclamado hoje, eu desci o sarrafo porque um amigo meu fez uma pergunta para ele e ele não respondeu. Eu falei que ele era assim mesmo, ele é um babaca que não responde”.
Procurada pelo GLOBO, a defesa de Ed Motta informou que "em nenhum momento houve agressão por parte dele contra qualquer pessoa no episódio do restaurante no Rio de Janeiro". O artista reconheceu que "deixou o local indignado em razão do atendimento que recebeu" e as imagens demonstram "de forma inequívoca" que ele "não teve qualquer participação nos eventos em apuração", uma vez que "já havia saído do estabelecimento", encerrra a nota.
Entenda o caso
Ed Motta teria feito as ofensas contra nordestinos durante a confusão envolvendo ele próprio e amigos no estabelecimento em área nobre do Rio. O episódio terminou com agressões físicas, arremesso de objetos e um cliente ferido na cabeça após ser atingido por uma garrafa de vinho.
A discussão começou após o grupo questionar a cobrança de taxa de rolha, valor pago para consumir vinhos levados pelos próprios clientes. Ed Motta estava acompanhado de amigos e o grupo levou sete garrafas de vinho ao restaurante. Cinco foram consumidas. A conta ultrapassou R$ 7 mil.
De acordo com os responsáveis pelo Grado, o cantor normalmente não paga taxa de rolha quando frequenta o restaurante sozinho, como forma de cortesia, mas sabia que a cobrança é aplicada quando está acompanhado e mesmo assim reagiu de maneira agressiva.
Os donos do restaurante, Nello Garaventa e Lara Atamian, já haviam afirmado em nota que houve “condutas discriminatórias” durante a confusão.
“As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada”.
Segundo testemunhas e relatos encaminhados à polícia, Ed Motta também arremessou uma cadeira no salão antes de deixar o restaurante.
Ed Motta se envolveu em confusão em restaurante no Rio: 'agressões fisicas, ofensa aos funcionários, garrafas quebradas, uma loucura...', diz Nello Garaventa, do Grado
Jorge Bispo/Leo Martins
Em conversa com O GLOBO, à época do ocorrido, o cantor reconheceu que se exaltou, mas negou ter jogado a cadeira contra funcionários.
— Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso — disse.
Após a saída de Ed Motta, a confusão continuou envolvendo integrantes de seu grupo e clientes do restaurante.
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