Funcionamento offline e conta-salário: BC projeta novidades do Pix para os próximos anos em relatório de gestão

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O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (10) a segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, com dados sobre o sistema de pagamentos instantâneos entre 2023 e 2025. Segundo o documento, o Pix registrou 79,8 bilhões de transações em 2025, alta de 25,7% em relação ao ano anterior, e movimentou R$35,328 trilhões, 33,8% a mais que em 2024. O sistema, lançado em novembro de 2020, chegou ao fim de 2025 com 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas que fizeram ou receberam pelo menos uma transação no mês de dezembro. O montante equivale a 86% da população adulta brasileira, segundo estimativa do BC baseada em dados do IBGE.

O relatório também contabiliza mais de 920 milhões de chaves Pix cadastradas até o fim do período, vinculadas a mais de 162 milhões de pessoas e 16 milhões de empresas. O maior volume de transações em um único dia ocorreu em 5 de dezembro de 2025, com aproximadamente 313,3 milhões de operações. Já o maior valor movimentado em 24 horas foi registrado em 19 de dezembro do ano passado, quando somou pouco mais de R$193,4 bilhões. Próximos projetos O relatório ainda detalha iniciativas em desenvolvimento pelo BC. Uma delas é a cobrança híbrida, prevista na Resolução BCB 443, de dezembro de 2024, que deve padronizar a possibilidade de pagar uma mesma cobrança por boleto ou por Pix, a partir de um único documento.

Prédio do Banco Central, em Brasília Agência Brasil O BC também avalia um modelo de Pix por aproximação que funcione sem conexão à internet, usando dispositivos com tecnologia NFC como cartões e pulseiras. Outras frentes citadas no documento incluem: Inclusão de contas-salário como iniciadoras do Pix Automático, Criação do split tributário para reter automaticamente impostos incidentes sobre transações elegíveis, Possibilidade de usar fluxos futuros de recebimentos via Pix como garantia em operações de crédito Estudos para interligar o Pix a sistemas de pagamento instantâneo de outras jurisdições. Na área de segurança, o BC diz estudar critérios objetivos para classificar transações com suspeita de fraude, hoje definidos por cada instituição.

O órgão também desenvolve um indicador de probabilidade de fraude por transação calculado por machine learning, que eventualmente poderá ser disponibilizado às instituições participantes. Novos produtos Entre 2023 e 2025, o BC incorporou ao Pix funcionalidades como a recorrência obrigatória no Pix Agendado, em vigor desde outubro de 2024, e o Pix por aproximação, que permite pagamentos via NFC (Near Field Communication) sem redirecionamento entre aplicativos, formalizado no regulamento do Pix em junho de 2025.

Também entrou em operação, em 16 de junho de 2025, o Pix Automático, sistema de débito recorrente que dispensa autorização a cada nova cobrança e pode ser usado tanto por pessoas físicas quanto por empresas. Em dezembro de 2025, o Pix Automático somou quase 600 mil transações e R$133,2 milhões em volume financeiro. Os números equivalem a mais que o dobro da quantidade e cinco vezes o valor registrados em novembro, segundo o relatório. Menos dor de cabeça O documento também lista medidas de segurança adotadas no período. Em outubro de 2025, o BC implementou o autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), conhecido como "botão de contestação", que permite ao usuário registrar pedidos de devolução por golpe ou fraude diretamente no aplicativo da instituição financeira. Outras mudanças incluem: Obrigatoriedade de cadastro prévio de dispositivos para transações Pix, em vigor desde novembro de 2024; Vedação a que usuários confirmadamente envolvidos em fraudes movimentem transações no Pix, também desde novembro de 2024; Extensão do bloqueio cautelar — que permite reter por até 72 horas recursos suspeitos de fraude — para contas de pessoa jurídica, a partir de setembro de 2025. O BC também restringiu, desde novembro de 2024, a participação no Pix a instituições autorizadas a funcionar pela própria entidade, com prazo para regularização antecipado de dezembro de 2026 para maio de 2026.

A partir de janeiro de 2026, todos os participantes (exceto cooperativas de crédito) precisam manter capital social e patrimônio líquido mínimos de R$5 milhões. Instituições que descumprirem determinações do BC também passam a estar sujeitas a multa diária de até R$200 mil. *Com supervisão de Daniel Pinheiro Mais Lidas

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